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Os fãs de Didi Mocó vão se surpreender.
Renato Aragão, que completará 70 anos em janeiro,
lança na quarta-feira 17 seu primeiro romance, Amizade
sem Fim, pela editora Mondrian. A história, que
aborda temas religiosos, mostra a violência carioca
e cenas de sexo, desconstrói a imagem do humorista
cultivada há décadas. Há dois anos ele
escreveu um livro de pensamentos, Meus Caminhos. Dessa
vez se propôs um desafio maior. Pai de cinco filhos
(Paulo, 43, Ricardo, 41, Renato Jr., 38, Juliana, 26, e Lívian,
5) e avô de oito netos, Renato garante: essa é
mais uma de suas facetas. Casado há 13 anos, com Lílian
Taranto, 37, mãe da filha caçula, ele não
pensa em abandonar o humor circense que o tornou famoso. Só
não gosta de rever seus filmes antigos, por um único
motivo. “Tenho muita saudade”, resume, referindo-se
aos companheiros Mussum e Zacarias, já falecidos.
Por que decidiu escrever um
romance?
A idéia surgiu da minha prática com roteiros.
Escrevi 37 dos mais de 40 filmes que fiz. Nos últimos,
surgiam idéias que não eram para temas infantis,
não tinha como encaixar o Didi nelas. Comecei a perceber
que aquilo daria um livro. O tempo foi passando e fui criando
mais coragem. Por que não podia fazer um livro? Não
era uma coisa errada. Tenho projeção nacional
como palhaço, mas tinha também a pretensão
de escrever pelo menos um romance.
Não tem receio da crítica?
Tenho medo de se aproveitarem do Didi. Eles já vêm
pra cima de mim como se fosse um livro do Didi Mocó,
mas estou calejado. Nos meus filmes, estou acostumado a levar
porrada. Quanto mais eu levava porrada mais bilheteria dava.
O que tenho a dizer é que fiz um livro
com seriedade e com minha experiência de redação
nos roteiros. Se você entra na praia dos outros, acham
que é um invasor. Mas me
sinto um convidado, e garanto que não vou jogar papel
nem garrafa
na praia dos outros.
O livro tem cenas de violência
e sexo. Não teme chocar seu público infantil?
Quem escreveu o livro foi o Renato Aragão. Meu público
vê o Didi Mocó. Essa é a minha saída.
Não quero deixar meu público infantil, mas o
romance é outra faceta minha que não queria
deixar guardada num canto. Tenho o direito de fazer alguma
coisa diferente.
Nunca pensou em mudar de profissão?
Sou um palhaço, vou morrer fazendo humor infantil,
circense, primário, humor de palhaço. Para isso
não como carne, gordura, fritura, bebo só socialmente.
Para conservar o meu físico, poder pular, saltar janela,
porque o meu humor é visual. O dia que eu não
puder fazer tudo isso, vou parar.
A chegada dos 70 anos o incomoda?
Não fala disso, não. É tanta idade que
eu até nem sei mais. Minha mulher quer comemorar essa
data, mas eu não gosto disso, não. Sei
lá, principalmente esse número. Não sei
o que vou fazer com esse número. Pula isso aí.
Está em crise por causa
dos 70 anos?
Não, eu sou como cabrito. Vou até o último
berro. A idade cronológica não me interessa.
Me interessa a idade física, o que eu posso fazer no
momento. Faço ginástica, passo fome, sempre
fiz dieta, passei minha vida toda me policiando. Afinal, uso
o corpo para fazer as crianças rirem, é minha
ferramenta de trabalho.
Como mantém a forma?
Jogo futebol uma vez por semana e caminho sempre que posso,
de 30 a 40 minutos. Aliás, eu dou conselho a qualquer
um: troque seus re-
médios, seus comprimidos por um par de tênis,
porque ele resolve todos os seus problemas físicos,
mexe com tudo, seu corpo, sua cabeça. Aquela insônia,
aquela depressão que às vezes você tem,
tudo passa.
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