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Livros
O grande amor de Lily

Viúva de Roberto Marinho, Lily Marinho lança biografia
na qual relata o casamento de 14 anos com o dono das Organizações Globo, diz que ainda sofre com a morte
do marido e tem nos netos sua fonte de alegria
texto: Rosangela Honor
fotos: Leandro Pimentel

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“Sou de um ciúme patológico, mas consegui, com
o passar do tempo, aprender a me controlar’’,
escreve Lily Marinho, no livro Roberto e Lily

Na manhã do dia 3 de dezembro do ano passado, data em que o jornalista Roberto Marinho completaria 99 anos, sua esposa, Lily Marinho, 82 anos, decidiu prestar uma homenagem ao homem que considera o grande amor de sua vida. Debruçada sobre inúmeras cartas e fotografias, ela reviveu com saudade momentos inesquecíveis de seus 14 anos de casamento, ou, como gosta de dizer, de sua grande história de amor. Onze meses depois daquela manhã, ela lança, na quarta-feira 10, no Jockey Clube, no Rio, o livro Roberto e Lily. “Tentei matar a minha terrível saudade, mas só consegui aliviar um pouco a perda do Roberto”, diz ela.

Durante quatro meses, Lily mergulhou em suas lembranças para escrever cada uma das 214 páginas do livro, no qual ela também revela curiosidades – “ele adorava gravatas e acredito jamais tê-lo visto usando a mesma” – e desmente boatos – “Roberto não era um vampiro, um obcecado pela eliminação de rugas e pela saúde”. Voz mansa, ela conta que sentiu-se insegura depois que tomou a iniciativa. Constantemente indagava os amigos se sua história com Roberto Marinho poderia interessar muita gente. Escreveu o livro todo em francês. Também selecionou pessoalmente cada uma das 30 fotografias publicadas na obra e, para cada uma, escreveu legendas especiais. Foram três meses de tradução, releituras e correções. “O Roberto ficaria surpreso com a minha iniciativa, mas ele reencontraria no livro minha admiração.”

Além de narrar sua história com o dono das Organizações Globo, Lily Marinho fala sobre a educação rígida que recebeu do pai, um oficial da marinha britânica, e dos incentivos da mãe, uma francesa, para dedicar-se às artes. O casamento de 45 anos com o também jornalista Horácio de Carvalho e a perda do filho, Horacinho, aos 26 anos, num acidente de automóvel, assim como a adoção do filho João Batista, também são relatados no livro.

Lily não tenta esconder a falta que o marido lhe faz. Nunca mais usou roupas de cor, está 10 quilos mais magra e ainda se recupera de uma forte pneumonia que a deixou hospitalizada por 45 dias entre setembro e outubro. O tratamento com antibióticos perdurará por mais três me-
ses. É na companhia do filho, João Batista, 37 anos, e dos netos Phi-
lippe, 16, Gabriela, 7, Anthony, 6, e João Vitor, 2, que ela tem encon-
trado conforto. Embaixadora da Boa Vontade da Unesco, continua desenvolvendo projetos sociais como a creche São João Batista. Presidente de honra dos “Amigos do Brasil na França”, participará em 2005 de um grandioso projeto cultural entre os dois países.

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