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“Meus pais piraram quando eu disse que ia
fazer o Leôncio”,
diz Leopoldo, que não acompanhou a primeira versão da novela |
No dia 19 de outubro, Leopoldo Pacheco chegou em casa logo após
o término do segundo capítulo de A Escrava Isaura, da
Record e perguntou ao filho Frederico, de dez anos, se ele havia visto
seu desempenho na novela. “E aí, ficou com medo do pai?”
Apesar da resposta negativa do menino, a indagação faz
sentido: aos 44 anos, 23 de carreira, o ator tem a missão de
interpretar Leôncio, o grande vilão da trama e um dos
maiores da teledramaturgia nacional. “Sinto uma responsabilidade
muito grande, porque ele não é um protagonista qualquer.
É um personagem que todo mundo gostaria de fazer”, diz
Leopoldo, que ganhou essa oportunidade já no segundo trabalho
na televisão.
Em janeiro, ele estreou na tela no papel do libanês Samir,
da minissérie global Um Só Coração,
de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira. Os autores o descobriram
na peça Pólvora e Poesia, escrita por Nogueira,
na qual Leopoldo viveu o poeta francês Paul Verlaine. O trabalho
lhe rendeu o Prêmio Shell de melhor ator, um dos quatro que
Leopoldo guarda na estante – os outros três foram conseguidos
como figurinista. A coleção de troféus também
inclui prêmios de melhor diretor e até o Avon Color,
o principal da maquiagem brasileira, pela caracterização
do espetáculo Sacromaquia (2000). “Faço
cenário, figurino, direção e maquiagem. Só
não ilumino muito bem e sou um desastre para escrever”,
diz.
A multiplicidade de talentos vem da infância, quando Leopoldo
descobriu a paixão pelo desenho. Na escola, ilustrava à
mão as capas dos trabalhos de ciências e, aos dez anos,
recebeu uma surpresa
de um casal de amigos dos pais. “Cheguei em casa e tinha um
cavalete, telas, tintas holandesas,
uma delícia! É o tipo de coisa que marca qualquer
um.” O incentivo o levou a cursar artes plásticas
na FAAP, onde se ofereceu para fazer cenários para um grupo
de teatro. Um dia, durante uma apresentação no Festival
de São José do Rio Preto (SP), foi chamado para substituir
um ator que
havia faltado. “Fiquei muito nervoso, mas me senti tão
confortável quando subi no palco que parecia
que era naquele lugar que eu precisava estar. Dois meses depois,
estava prestando vestibular para a Escola de Artes Dramáticas,
da USP”, lembra.
Caçula dos quatro filhos do proprietário de uma pequena
confecção e de uma dona de casa, Leopoldo diz que seus
pais “piraram” quando souberam que ele faria o Leôncio,
em A Escrava Isaura. “Eu não assistia muito tevê
quando a versão da Globo passou, mas eles se lembram bem. Para
mim, o que marcou foi o olhar do Rubens de Falco.” O primeiro
intérprete do vilão, que na versão da Record
vive o Comendador Almeida, pai de Leôncio, aprova o sucessor.
“O Leopoldo está fazendo o papel tão bem ou melhor
do que eu fiz. Fico muito contente em ver o trabalho dele”,
aplaude Rubens de Falco.
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