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Mulher maravilha

Marina Verdini integra a equipe vencedora da Ecomotion, a maior corrida de aventura da América Latina, e dormiu apenas duas horas em três dias de prova entre rios, mata e mar
Claudia Jordão

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Divulgação
Um dos piores trechos foi uma travessia
noturna de caiaque: “Estava muito escuro e havia pedras que não conseguíamos ver”, conta
Com um sorriso enorme e lágrimas de felicidade rolando pelo rosto sujo, a paulista Marina Verdini, 28 anos, surgiu como uma visão na Praia do Resende, em Itacaré (BA), ponto final da Ecomotion, na quinta-feira 21, às 13h. A chegada aconteceu 77 horas e 45 minutos após a largada, em Ponta do Mutá, em Barra Grande, da maior corrida de aventura da América Latina. Acompanhando a atleta, desciam em fila pela costa que dava acesso à areia rumo ao degrau mais alto do pódium, seus companheiros da equipe Quasar Lontra: Rafael Reyes Campos, namorado de Marina, Vinícius da Cruz e Luiz Barbosa.

Foram 435 quilômetros em trechos de mata atlântica, areais, rios e mar com apenas 2 horas e 20 minutos de sono. Dores musculares, bolhas nos pés e alucinações, causadas pela privação de sono e cansaço eram a regra. Um trecho de caiaque à noite, no Rio das Almas, entre os municípios de Santa Cruz e Nilo Peçanha, foi espe-
cialmente difícil. “Tivemos muito medo. Estava muito escuro e havia pedras que não conseguíamos ver”, conta Marina, uma das 53 mulhe-
res entre os 200 atletas brasileiros e estrangeiros que disputaram a prova. “O homem é mais forte fisicamente, é a natureza. Eu tenho de arrancar forças do além para não deixar o time na mão”, diz ela.

Formada em Esportes pela Universidade de São Paulo, a vida de Marina é uma entrega ao exercício físico. Ela dá aulas numa academia, é personal trainer, treina para corridas de aventura e se dedica à sua grande paixão: a power ioga. Esse, segundo ela, foi o segredo da vitória: “A parte espiritual estava boa e o corpo respondeu bem”, acredita Marina, praticante de ioga há quatro anos.

Foi graças ao esporte de aventura que Marina conheceu Rafael em 2000. Eles foram convidados para integrar a mesma equipe na competição Raid Brotas Extreme. Moram juntos há três anos, mas na hora das provas procuram separar o esporte do amor para suavizar a relação nos momentos de estresse. “É normal você se exaltar, acontece de responder de forma um pouco ríspida, mas a pessoa entende”, conta Marina. “A gente se dá superbem, gosto muito de competir com ela, mas nas provas, nós somos atletas, não namorados”, diz Rafael.

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