Bianca fala que o método
a ensinou a reconhecer os problemas e a não torná-los
maiores do que são. “Quando decidi ser
atriz, queria
ser atriz de verdade, de grande talento e reconhecimento.
Mas não faço essa escalada pensando no
pico da montanha, porque corro o risco de não
chegar”, diz ela, que já foi paquita e
atuou em Malhação, na Globo. “A
Globo eleva o ator a um grau de reconhecimento e sucesso.
Mas nunca coloquei a Globo como meta. O que busco é
trabalhar com atores que admiro.”
Não foi a primeira vez que atriz recorreu
à terapia. Em 2001, um problema familiar foi
detectado nas suas sessões e Bianca foi aconselhada
a conhecer o pai biológico, Hosannah Gonçalvez
de Oliveira, hoje com 57 anos. “Na época,
sofri muito. Ele tinha duas namoradas e casou-se com
a outra”, conta a mãe de Bianca, Maria
da Glória. “Trabalhávamos num
hospital, convites de casamento dele foram espalhados
por lá. Ele se casou em setembro e, em outubro,
a Bianca nasceu. Achei que ele não devesse
vê-la.”
Bianca foi criada pela mãe e o padrasto,
que morreu quando ela tinha 11 anos – ela tem
uma irmã por parte de mãe e outros dois
por parte de pai. Aos 26, ela telefonou para Hosannah
e marcou um encontro. “Não esperava que
ela me procurasse, sei que fiz falta para ela”,
afirma o pai. “Em 6 de julho de 2001, às
12h30, nos encontramos num restaurante. Cheguei 15
minutos atrasado porque lembrei que ela merecia um
buquê de rosas. Foi um abraço de muita
emoção. Um dia, perguntei se poderia
chamá-la de minha filha e ela concordou.”
Hoje, a atriz almoça na casa do pai, encontrou
afinidades, como as mãos parecidas, mas se
ressente da convivência. “Não o
conheço ainda. São quase 30 anos sem
ter contato. Essa relação ainda é
estranha e ele percebe”, diz Bianca.
As marcas desse abismo afetivo estão arquivadas.
A hora é de fazer planos. Há dois anos
ela vive com Eduardo Menga, de 52 anos, 22 a mais
que ela. “Eu quero casar no primeiro dia de
lua cheia. Ou num sítio que tenha uma cachoeira
por perto, ou numa praia. E tem de ter pôr-do-sol.
Só caso assim”, diz. “E ter filho,
né?”
Menga conta que os dois estão construindo
um chalé em Piracaia – a cidade da casuloterapia
– e diz que as idades fazem diferença
para o lado positivo: “Juntar a experiência
com a jovialidade é maravilhoso”. Da
vaidade, Bianca conta que não é escrava.
“Não gosto de me depilar e não
tenho pa-ci-ên-cia para ficar no cabeleireiro.
Gosto de sair de boné, macacão, moletom.
Às vezes, o Eduardo fala: ‘Você
vai sair assim? Põe uma roupinha melhor’.
Não tenho paciência de ficar me arrumando.”
O que ela gosta mesmo é de fazer pé
e mão. E de pegar um solzinho de vez em quando.
Mas, para ganhar esta alforria terá de deixar
de ser escrava de Isaura. 
Agradecimentos:
Sofitel (SP), Clube Chocolate, Túnel
do Tempo, Zapping, Cavalera, Miss Sixty, Princess
Produção: Patrícia
Vilani |