Reportagens  
“A Globo eleva o ator a um
grau de reconhecimento e sucesso. Mas nunca coloquei
a Globo como meta”, diz Bianca, que atuou em Malhação e fez novelas no SBT e Record
“Eu quero casar no primeiro dia de lua cheia. Ou num sítio que tenha uma cachoeira por perto, ou numa praia. E tem de ter pôr-do-sol. Só caso assim’’ Bianca Rinaldi
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Especial
Escrava de Isaura

continuação
texto: Rodrigo Cardoso
fotos: piti reali

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Bianca fala que o método a ensinou a reconhecer os problemas e a não torná-los maiores do que são. “Quando decidi ser atriz, queria
ser atriz de verdade, de grande talento e reconhecimento. Mas não faço essa escalada pensando no pico da montanha, porque corro o risco de não chegar”, diz ela, que já foi paquita e atuou em Malhação, na Globo. “A Globo eleva o ator a um grau de reconhecimento e sucesso. Mas nunca coloquei a Globo como meta. O que busco é trabalhar com atores que admiro.”

Não foi a primeira vez que atriz recorreu à terapia. Em 2001, um problema familiar foi detectado nas suas sessões e Bianca foi aconselhada a conhecer o pai biológico, Hosannah Gonçalvez de Oliveira, hoje com 57 anos. “Na época, sofri muito. Ele tinha duas namoradas e casou-se com a outra”, conta a mãe de Bianca, Maria da Glória. “Trabalhávamos num hospital, convites de casamento dele foram espalhados por lá. Ele se casou em setembro e, em outubro, a Bianca nasceu. Achei que ele não devesse vê-la.”

Bianca foi criada pela mãe e o padrasto, que morreu quando ela tinha 11 anos – ela tem uma irmã por parte de mãe e outros dois por parte de pai. Aos 26, ela telefonou para Hosannah e marcou um encontro. “Não esperava que ela me procurasse, sei que fiz falta para ela”, afirma o pai. “Em 6 de julho de 2001, às 12h30, nos encontramos num restaurante. Cheguei 15 minutos atrasado porque lembrei que ela merecia um buquê de rosas. Foi um abraço de muita emoção. Um dia, perguntei se poderia chamá-la de minha filha e ela concordou.” Hoje, a atriz almoça na casa do pai, encontrou afinidades, como as mãos parecidas, mas se ressente da convivência. “Não o conheço ainda. São quase 30 anos sem ter contato. Essa relação ainda é estranha e ele percebe”, diz Bianca.

As marcas desse abismo afetivo estão arquivadas. A hora é de fazer planos. Há dois anos ela vive com Eduardo Menga, de 52 anos, 22 a mais que ela. “Eu quero casar no primeiro dia de lua cheia. Ou num sítio que tenha uma cachoeira por perto, ou numa praia. E tem de ter pôr-do-sol. Só caso assim”, diz. “E ter filho, né?”

Menga conta que os dois estão construindo um chalé em Piracaia – a cidade da casuloterapia – e diz que as idades fazem diferença para o lado positivo: “Juntar a experiência com a jovialidade é maravilhoso”. Da vaidade, Bianca conta que não é escrava. “Não gosto de me depilar e não tenho pa-ci-ên-cia para ficar no cabeleireiro. Gosto de sair de boné, macacão, moletom. Às vezes, o Eduardo fala: ‘Você vai sair assim? Põe uma roupinha melhor’. Não tenho paciência de ficar me arrumando.” O que ela gosta mesmo é de fazer pé e mão. E de pegar um solzinho de vez em quando. Mas, para ganhar esta alforria terá de deixar de ser escrava de Isaura.  

Agradecimentos: Sofitel (SP), Clube Chocolate, Túnel
do Tempo, Zapping, Cavalera, Miss Sixty, Princess
Produção: Patrícia Vilani
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