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| “Vivo
pela novela, sou escrava da escrava Isaura.
Era um sonho fazer uma novela de época”, diz
Bianca |
Em junho, ela foi proibida de tomar sol. Desde então,
nos dias de folga anda a cavalo numa hípica coberta,
almoça na casa da mãe, vai ao cinema ou
assiste a filmes em casa. Na fazenda em Santa Gertrudes
(SP), onde passa a maior parte do tempo trabalhando,
está sempre com um guarda-chuva aberto e protetor
solar fator 30 na pele. “Nem fazer caminhada num
parque domingo de manhã eu posso. Estou me sentindo
uma vampira”, brinca. Ambientes fechados e noturnos
são os points de Bianca Rinaldi desde que foi
escolhida para ser a protagonista de A Escrava Isaura.
A novela, nova versão do livro de Bernardo Guimarães,
estreou na Record no último dia 18 e tem colocado
a emissora em segundo lugar na audiência no horário
com média de 12 pontos.
Bianca foi escalada pelo diretor de Escrava,
Herval Rossano, logo
no primeiro encontro. “Quero que você
faça a Isaura. Quero que aprenda a sorrir de
boca fechada e não tome sol. Tá bom?”,
disse-lhe Herval, que dirigiu a primeira versão
na Globo em 1976. Aos 30 anos, loira e de olhos azuis,
Bianca aceitou o pacote. Só que precisou de
mais: passou a usar lentes de contato castanhas e
escureceu os cabelos. Maria da Glória Silva
Rinaldi, 58 anos, mãe da atriz, não
gostou. “Tem gente que não a reconhece.
A tia dela, um dia desses, me perguntou: ‘Vi
de longe que você conversava com alguém.
Quem era?’ Era a Bianca.”
Isaura é o papel mais importante da carreira
de Bianca – é a terceira novela dela,
que também já fez seis peças.
A atriz leu o livro de Bernardo Guimarães,
mas não quis assistir à versão
da Globo, que tinha Lucélia Santos no papel
principal, para não se influenciar. A Isaura
de Bianca tem cara de sofrimento, demonstra alegria
sem euforia, como pede a sua personagem, desde o momento
em que a atriz acorda. “Um dia, quando iria
gravar as cenas da morte da minha madrinha, já
saí de casa sofrendo. Nem dei bom dia ao Eduardo
(Menga, empresário e namorado de Bianca).
Na maquiagem, o pessoal perguntava: ‘O que foi,
Bianca? Tá tudo bem?’”, conta ela.
“Vivo pela novela, sou escrava da escrava Isaura.
Era um sonho fazer uma novela de época.”
A fase é boa, mas a trajetória de
Bianca é repleta de obstáculos. Profissionalmente,
a instabilidade a incomoda – antes de Escrava,
sua última novela fora em 2001, em Pícara
Sonhadora, do SBT. “O meio artístico
é instável e os altos e baixos me desestabilizavam”,
conta. “Não deixava de fazer as coisas
do meu dia, de acreditar
nas coisas que eu queria, não ficava de cama
deprimida. Mas
sentia uma tristeza, uma insatisfação.”
Em busca de autoconhecimento, Bianca recorreu à
casuloterapia,
um método psicoterapêutico no qual se
busca confiar em si mesmo
e vencer os medos. Durante três dias, em 2002,
ela ficou recolhida num chalé, em Piracaia
(SP). Sem livro, celular, televisão ou rádio,
só ouvia o ruído do vento e da água
de uma cachoeira. Lá, era estimulada por dois
terapeutas – os únicos com quem podia
se comunicar – a rever suas dificuldades e a
pensar somente em si. “Tive medo e vontade de
pular da janela. Mas os terapeutas vão te induzindo.
Quando você vê, já virou uma borboleta”,
conta ela. “Aprendi a me valorizar depois da
casuloterapia.” |