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“O meio artístico é instável e os altos e baixos me desestabilizavam’’ Bianca Rinaldi, cuja última novela havia sido Pícara Sonhadora, de 2001
A Escrava Isaura tem atingido 12 pontos em média de audiência e deixado a Record no segundo lugar no Ibope
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Especial
Escrava de Isaura

Protagonista de A Escrava Isaura, da Record, Bianca
Rinaldi teve de escurecer o cabelo, usar lentes de contato, manter a pele branca e aprender a sorrir de boca fechada
para viver a personagem. Ela diz que só passou a se
valorizar após recorrer a uma “casuloterapia” e conta como
é a relação com o pai, que ela conheceu aos 26 anos
• Clique aqui para conferir o ensaio fotográfico com Bianca Rinaldi
texto: Rodrigo Cardoso
fotos: piti reali

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“Vivo pela novela, sou escrava da escrava Isaura.
Era um sonho fazer uma novela de época”, diz Bianca
Em junho, ela foi proibida de tomar sol. Desde então, nos dias de folga anda a cavalo numa hípica coberta, almoça na casa da mãe, vai ao cinema ou assiste a filmes em casa. Na fazenda em Santa Gertrudes (SP), onde passa a maior parte do tempo trabalhando, está sempre com um guarda-chuva aberto e protetor solar fator 30 na pele. “Nem fazer caminhada num parque domingo de manhã eu posso. Estou me sentindo uma vampira”, brinca. Ambientes fechados e noturnos são os points de Bianca Rinaldi desde que foi escolhida para ser a protagonista de A Escrava Isaura. A novela, nova versão do livro de Bernardo Guimarães, estreou na Record no último dia 18 e tem colocado a emissora em segundo lugar na audiência no horário com média de 12 pontos.

Bianca foi escalada pelo diretor de Escrava, Herval Rossano, logo
no primeiro encontro. “Quero que você faça a Isaura. Quero que aprenda a sorrir de boca fechada e não tome sol. Tá bom?”, disse-lhe Herval, que dirigiu a primeira versão na Globo em 1976. Aos 30 anos, loira e de olhos azuis, Bianca aceitou o pacote. Só que precisou de mais: passou a usar lentes de contato castanhas e escureceu os cabelos. Maria da Glória Silva Rinaldi, 58 anos, mãe da atriz, não gostou. “Tem gente que não a reconhece. A tia dela, um dia desses, me perguntou: ‘Vi de longe que você conversava com alguém. Quem era?’ Era a Bianca.”

Isaura é o papel mais importante da carreira de Bianca – é a terceira novela dela, que também já fez seis peças. A atriz leu o livro de Bernardo Guimarães, mas não quis assistir à versão da Globo, que tinha Lucélia Santos no papel principal, para não se influenciar. A Isaura de Bianca tem cara de sofrimento, demonstra alegria sem euforia, como pede a sua personagem, desde o momento em que a atriz acorda. “Um dia, quando iria gravar as cenas da morte da minha madrinha, já saí de casa sofrendo. Nem dei bom dia ao Eduardo (Menga, empresário e namorado de Bianca). Na maquiagem, o pessoal perguntava: ‘O que foi, Bianca? Tá tudo bem?’”, conta ela. “Vivo pela novela, sou escrava da escrava Isaura. Era um sonho fazer uma novela de época.”

A fase é boa, mas a trajetória de Bianca é repleta de obstáculos. Profissionalmente, a instabilidade a incomoda – antes de Escrava,
sua última novela fora em 2001, em Pícara Sonhadora, do SBT. “O meio artístico é instável e os altos e baixos me desestabilizavam”, conta. “Não deixava de fazer as coisas do meu dia, de acreditar
nas coisas que eu queria, não ficava de cama deprimida. Mas
sentia uma tristeza, uma insatisfação.”

Em busca de autoconhecimento, Bianca recorreu à casuloterapia,
um método psicoterapêutico no qual se busca confiar em si mesmo
e vencer os medos. Durante três dias, em 2002, ela ficou recolhida num chalé, em Piracaia (SP). Sem livro, celular, televisão ou rádio, só ouvia o ruído do vento e da água de uma cachoeira. Lá, era estimulada por dois terapeutas – os únicos com quem podia se comunicar – a rever suas dificuldades e a pensar somente em si. “Tive medo e vontade de pular da janela. Mas os terapeutas vão te induzindo. Quando você vê, já virou uma borboleta”, conta ela. “Aprendi a me valorizar depois da casuloterapia.”

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