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A atriz, que canta e dança, já atuou em Las Vegas e gravou um CD: “É um disco experimental. Vou apresentá-lo quando tiver que acontecer”, diz ela
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Televisão
Na pele de uma sofredora

Adriana Lessa conta que tem sido abordada por
mulheres cujas histórias se parecem com o drama
de sua personagem, que apanha do marido e tem
uma filha rebelde em Senhora do Destino
Texto: Nina Arcoverde Mansur
foto: Alexandre Sant’Anna

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Desde que apareceu no vídeo na pele da sofrida dona-de-casa que é espancada pelo marido marginal em Senhora do Destino, Adriana Lessa tem tido a cumplicidade de mulheres que enfrentam o mesmo problema. Assídua na ponte aérea Rio-São Paulo, a atriz é abordada regularmente por mulheres de diferentes idades que se identificam com o drama da personagem. “Outro dia uma senhora veio falar comigo no avião e contou que já havia conseguido se separar mas que a história ainda estava marcada em seu coração”, conta. “Constatei que essa agressão acontece a qualquer uma, seja de baixa renda ou não. Era uma mulher bem vestida, que usava jóias.” Num restaurante, Adriana ouviu os sinceros elogios de uma mulher com os olhos marejados. Mas o assunto era outro. A mesma personagem é mãe de uma adolescente, a rebelde Lady Daiane, que engravidou do namorado. Ao perceber o problema, a atriz escreveu um bilhete na hora e entregou à admiradora. “Aí ela se abriu. Disse que também tinha uma filha rebelde e que passava pela mesma situação.”

Se na ficção Adriana enfrenta dramas comuns a milhares de mães, na vida real ela, que é solteira, ainda não sentiu o relógio biológico despertar para a maternidade. “É claro que desejo ser mãe, mas ainda não sei se está na hora”, diz ela, que não se imagina numa produção independente. “Terei um filho de comum acordo com uma pessoa. De alguém que me diga: quero ter um filho teu”.

Com 15 anos de carreira, Adriana se orgulha de viver experiências que a profissão oferece. Uma delas foi em setembro do ano passado, quando participou do Folies Bergere em Las Vegas. A atriz se inscreveu em uma promoção e foi escolhida para atuar no espetáculo durante uma semana. “Foi bacana, nunca tinha ido a Las Vegas. As pessoas aqui não sabem, mas sou muito bem recebida lá fora”, diz ela, que já se apresentou em diversos países quando integrava a companhia de teatro de Antunes Filho. Dona de uma voz elogiada, já cantou em cruzeiros pela costa brasileira e Caribe. Gravou um CD e pensa na possibilidade de gravar outro. “É um disco experimental. Vou apresentá-lo quando tiver que acontecer”, diz ela, que aprendeu piano e violão na infância.

Ex-jogadora de vôlei pelo Corinthians na adolescência, ela formou-se em Comunicação. Mas seus interesses eram múltiplos. Por quatro anos foi contratada como bailarina da C&A para comerciais de tevê. Tinha aulas de dança de 7h às 10h. “Quem chegasse atrasado era descontado o salário, mas era maravilhoso”, conta. Em 1993, ela desbancou quatro mil concorrentes numa promoção da MTV para ser apresentadora de um programa de dance music. “Foi minha primeira experiência na televisão.”

Se falar do trabalho é um prazer para a atriz, o tempo fecha quando o tema é vida privada. Filha de Tarcísio Lessa, operário de fábrica de máquinas de escrever, e da professora Antônia Meira, Adriana sequer revela a idade. “Não conto o tempo cronológico. Me sinto com uma idade maravilhosa para viver a vida.” Também faz mistério sobre o suposto romance com o ator português Nuno Mello, 43 anos, seu par na novela, com quem é vista em restaurantes no Rio. “Não digo se dei beijo na boca de alguém ou não. Pra quê?”, indaga. “Eu e Nuno temos carinho pelo trabalho que fazemos e pelo encontro que aconteceu.” Nuno diz que eles se tornaram amigos. “Só porque saímos para jantar acham que estamos namorando”, diz.

Tamanha discrição, contudo, não a impediu de se inscrever em 2002 para uma vaga no Big Brother Brasil 1 e no Fama em plena novela O Clone, que começou em 2001. Adriana era Deusa e tinha um papel de destaque como mãe do clone (Murilo Benício). “Eu queria saber como era. Achei que seria engraçado. Mas nunca fui chamada. Sou reservada mas o Big Brother estava lá”, conta. “De repente podia ser sorteada. Se tivessem me chamado pensaria a respeito, mas não seria a história da minha vida.”

Agradecimentos: Rio Scenarium
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