Quando se formou
no ensino médio, Leonardo Carvalho tinha apenas
uma certeza. A única profissão que não
desejava seguir era a de ator. Filho de Christiane
Torloni e Dennis Carvalho, ele cresceu nos bastidores
de televisão e nas coxias de teatros e desde
cedo conviveu com a instabilidade comum à carreira
e com o ônus causado pela fama. “Eu me
assustava quando minha mãe parava num sinal
e as pessoas batiam no vidro do carro”, lembra.
Por isso, optou pela faculdade de jornalismo. Após
seis períodos, porém, percebeu que aquele
ainda não era o seu caminho. Depois de alguma
resistência, rendeu-se aos conselhos da mãe
e assistiu a algumas aulas de um curso de teatro.
A experiência foi suficiente para despertar
no então indeciso Leonardo a vontade de ser
ator.
Hoje, quatro anos depois, ele mostra que se descobriu
e o que aprendeu como o lutador Gatto de Senhora
do Destino. Mas até chegar ao horário
nobre, Leonardo enfrentou muita resistência.
A primeira foi do pai. Assim que soube da decisão
do filho, Dennis foi incisivo. “Ele me mandou
estudar primeiro porque existe muito ator ruim por
aí”, conta. E foi exatamente o que Leonardo
fez. Formou-se em teatro pela Casa de Artes Laranjeiras,
no Rio, e fez “estágio” nos bastidores
de Celebridade até aceitar o convite
de Wolf Maya. “Eu queria estar pronto, não
queria constranger minha família”, diz
ele, que além da novela das oito está
no elenco do longa Odiquê?, exibido no
Festival do Rio. “É difícil não
estar vinculado a meus pais. Mas quero trilhar meu
próprio caminho.”
A escolha profissional o aproximou mais de Dennis.
“Meu pai sempre foi workaholic, sempre senti
muito a ausência dele”, conta. “Se
entrasse no universo dele falaríamos a mesma
língua”, completa, afirmando que hoje
se sente feliz com o fato de estarem mais unidos.
O diretor concorda. “Quando ele voltou de Portugal
nos unimos na dor. Mas a decisão de ser ator
nos aproximou mais ainda”, admite Dennis. Leonardo
e Christiane moraram em Portugal após o acidente
de carro que matou Guilherme, irmão gêmeo
de Leonardo, em 1991.
A temporada em Portugal foi fundamental na vida
do ator. Ele conta que a decisão de sair do
País surgiu ainda no hospital, um dia após
o acidente do irmão. “Minha mãe
me disse que a situação estava barra-pesada
e que precisava sair fora”, lembra. Um mês
e meio depois, os dois desembarcaram na Europa para
morar num pequeno apartamento em Cascais. Ali, Leonardo
viveu uma realidade muito distante da a que estava
acostumado no Brasil. Como Christiane não sabia
passar, cozinhar ou lavar, ele precisou aprender tudo.
“Passei dois anos comendo carne torrada e usando
calça queimada do ferro”, recorda. Também
não fez amigos. Em seu tempo livre, costumava
pedalar acompanhado apenas do walkman pelas redondezas.
“Era um fantasminha. No luto você não
se deixa ser feliz.”
Os laços com o teatro marcaram a grande virada
na vida de Leonar-
do. Foi com a arte que ele superou a morte de Guilherme
quando retornou ao Brasil. Hoje, sempre antes de entrar
em cena o ator
pensa no irmão. “Me sinto mais protegido,
parece que ele está comigo”, diz ele,
que, solteiro, prepara-se para morar sozinho.
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