Entrevista  
"Todo mundo que quis namorar, acabei namorando. Dei muita sorte, mas já levei pé na bunda. Se sou bonita? Vou responder mineiramente: feia eu não sou!"
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CONTINUAÇÃO

Se tivesse muito dinheiro,
faria novela no SBT?
Tem vontade de gerar um filho?
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Bete Coelho
‘‘Sou mãe coruja, quem diria?’’
No ar em Seus Olhos, no SBT, a atriz que é musa no teatro resolveu a maternidade com o enteado, quer conversar com Silvio Santos e diz que não recebe convites para fazer cinema

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texto: Rodrigo Cardoso
Fotos: claudio gatti

Elisabete Mendes Coelho, a Bete Coelho, é musa quando encena. No teatro, não se vende para subir ao palco, precisa atestar o apuro artístico da obra. Atualmente, a atriz de 42 anos atua em Seus Olhos, novela do SBT. Mas é outro papel que a empolga: o de mãe. Mineira, caçula de três filhos, vive há dois anos com o músico Renato Goda, 33 anos, pai de Gabriel, 10, que mora com eles. A cozinha de sua casa virou multiuso. É de onde sai o almoço de Gabriel e ela lê textos enquanto pica alho. A fase família é pura diversão. “Meu marido tem um cabelo à la Eduardo Mãos de Tesoura e também gosta de vestir preto. Quando saímos, parecemos a família Adams”, brinca Bete.

Com teatro, consegue juntar dinheiro, fazer planos?
Não. É triste viver, trabalhar para pagar contas. Outro dia me ligaram
da Embratel cobrando uma conta de 2001. Falei: “Manda me prender. Não vou pagar”. Uma peça sucesso de bilheteria dá muito dinheiro.
Ney Latorraca ficou rico com Irma Vap. Nessa situação, dá para tirar R$ 30 mil, R$ 40 mil por mês. Na última peça que fiz, FrankensteinS
(em 2003) tirava de R$ 8 mil a R$ 10 mil por mês. Sabe quanto ganhei com o Um Número (dirigida por ela e que saiu de cartaz em setem-
bro
)? R$ 2 mil no total!

Por isso recorre à tevê?
Não posso viver de teatro, faço por amor. Faz 30 anos que vivo assim e é dureza. Estou louca para voltar ao teatro. Tenho projetos, mas não consegui dinheiro. A política cultural está mor-ta! O Gabriel Villela montou uma ópera no Municipal e tem costureira ligando para ele! Em teatro, não abro mão, não me vendo, só faço o que acho que vale. Estou no SBT ganhando meu dinheiro para tocar meus projetos em teatro.

Se tivesse muito dinheiro, faria novela do SBT?
Faria. Talvez estivesse fazendo as duas coisas: teatro e a novela. O meu problema é que não desisti. Continuo acreditando que é possível criar no SBT um núcleo de teledramaturgia que seja crível, menos mexicano, mas nem por isso menos popular. Não quero elitizar. Novela é para ser vista no dia seguinte, não é para ser obra literária.

Já conversou com o Silvio Santos?
Tenho memória péssima para nomes e fisionomia. Às vezes, não sei quem são as pessoas. Mas o Silvio Santos é da formação brasileira, a voz dele está no nosso inconsciente. Escuto a voz do Silvio desde que me conheço por gente. Meu pai via muito o Silvio, eu via os calouros, jurados, quando era pequena. Eu já o encontrei algumas vezes e falei um pouco sobre televisão e novela. Recentemente, ele estava no ar e me ligou para saber minhas opiniões para a Casa dos Artistas Apresenta Protagonistas de Novela. Tenho muitas coisas para falar a ele, se ele quiser me ligar.

Como gosta de levar a vida quando atua em tevê?
Sou caseira. Adoro perder tempo na estante com livros, lendo e inventando projetos. Não tenho amor por computador. Faz sete
meses que não abro e-mail. Não gosto muito de telefone. Estou
bem resolvida com minha exposição no teatro e na tevê. Fora
isso, gosto de me esconder, ficar em silêncio.

O filho mudou sua rotina?
Gabriel enlouqueceu minha vida de uma forma maravilhosa. Nunca tive criança em casa. Ele é parte essencial, meu filho, apesar de não ser a mãe biológica dele. Sempre fui notívaga. Hoje, preciso da manhã com ele. Você precisa cuidar de uma criança, da alimentação, da lição de casa, do esporte. Gabriel adora música, faz aula de teatro, ama futebol. No sítio, jogo futebol. Tive um distensão na virilha jogando com ele.

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