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O Príncipe da Jovem Guarda
na base paulista da FAB:
“Imagine eu fardado, de quepe. As meninas deliravam!”,
diz ele
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Céu de brigadeiro na base paulista da Força
Aérea Brasileira (FAB), em Cumbica, Guarulhos.
Numa tarde de setembro, um ar saudosista tomou conta
do cantor e apresentador Ronaldo Von Schilgan Cintra
Nogueira, o Ronnie Von, assim que ele pisou no local.
Impecável, de paletó e óculos escuros,
Ronnie foi recebido por coronéis, majores, sargentos.
No reencontro com seu passado, proposto por Gente,
a comenda da FAB reluzia em seu paletó. “A
Força Aérea foi o norte da minha vida”,
diz o ex-cadete, emocionado. “Entrei com 15 anos
na escola preparatória de cadetes e, lá,
formei minha personalidade, aprendi disciplina, organização,
hierarquia e respeito à lei.”
Aos 60 anos, Ronnie carrega daquela época
hábitos como jamais permitir que uma mulher
abra a porta de um carro e enviar flores no dia seguinte
para “as meninas” que são gentis.
À FAB, ele também deve o fato de saber
arrumar corretamente a cama e a acordar, sem resmungar,
às 5h30, o que ele faz para apresentar o Todo
Seu, diariamente na tevê Gazeta. “Imagine
eu fardado, de quepe. As meninas deliravam!”,
relembra Ronnie.
O fascínio por aviões começou
na infância. Já adulto, ele teve quatro
aeronaves – chegava a limpar os equipamentos
de bordo com cotonete –, foi piloto da Vasp
e computou 4.820 horas de vôo, tal qual brigadeiro.
Poderia ter voado mais, não tivesse interrompido,
aos 18 anos, o sonho para seguir os passos do pai
economista e diplomata. Ronnie se formou e trabalhou
no mercado de capitais. Mas encontrou a fama ao empunhar
o microfone, jogar o pescoço para tirar a franja
que cobria os olhos verdes e soltar a voz com o hit
“Meu Bem”. Desde então a Jovem
Guarda ganhou seu Príncipe – assim o
chamavam – e ele vendeu 10 milhões de
discos.
Um episódio pitoresco selou seu desligamento
da FAB. Certo dia, sua babá, Amélia,
foi vê-lo. “Amélia fazia um bolo
de chocolate precioso”, lembra Ronnie. No portão,
pediu para falar com o cadete Nogueira e identificou-se:
“Sou a babá dele e trouxe o bolinho de
chocolate que ele adora”. Ronnie conta como
o recado foi passado pelo auto-falante. “Atenção,
cadete Nogueira, sua babá veio lhe visitar
e lhe trouxe um bolo de chocolate.” Ronnie ouviu
gozação durante meses e deixou a FAB.
Deprimido, fez oito anos de terapia. “Eu já
era cantor e sonhava que estava voltando para a escola
de cadetes”, conta. “Tive de superar o
fato de sair da FAB sem querer ter saído.”
Na vida afetiva, Ronnie não permitiu interferências
familiares. A mãe dele, Noly, insistia para
que ele se casasse com uma moça da sociedade
carioca. Ele estava interessado em Miúcha,
a grande menina do posto 4 de Copacabana, e tinha
um encontro com ela. À mãe, ele dissera
que se casaria com a primeira mulher que visse na
praia. Miúcha teve uma amigdalite, 40º
de febre e não foi. Ronnie conheceu ali Aretusa,
com quem foi casado durante 12 anos e teve dois filhos:
Alessandra, 34 anos, e Ronaldo, 33.
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“Tenho cuidado de passar um
creminho
antes de dormir, pentear legal o cabelo,
ter a roupa impecável’’ Ronnie Von
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Ao se separarem, ele ficou com a guarda deles. Da experiência
de criá-los, lançou Mãe de Gravata,
livro que está na 11ª edição.
“Sofri preconceito até de amigos quando
passei a freqüentar a tribo feminina, que não
era a minha, mas me ensinou a administrar a casa, trocar
fralda, fazer mamadeira.” Cristina, 49 anos, mulher
de Ronnie há 18, explica como eles se completam:
“Tenho cabeça de homem, Ronnie pensa como
mulher”, diz. “Batemos de frente um pouco.
Temos dois castiçais em cima da mesa que, todo
dia, coloco para frente e ele, para trás.”
Ronnie confirma que seus valores, sua visão
de mundo, têm a ótica das mulheres. Até
no trabalho – além de apresentar um programa
feminino, ele é dono de uma agência de
publicidade e de uma empresa da construção
civil – está cercado de mulheres. “Tenho
vaidade feminina, não de pintar a unha como
o David Beckham. Mas tenho cuidado de passar um creminho
antes de dormir, pentear legal o cabelo, ter a roupa
impecável”, diz. Ele conta que conhece
cama, mesa e banho como ninguém, qualquer ponto
de bordado, qualquer renda. Lava, passa, cozinha.
“A roupa da minha mulher quem compra sou eu,
do sapato à lingerie”, diz. “Isso
é ser metrossexual? Me considero um, então.”
Nesse exato momento, o papo, pontuado pelo som de
pouso e decolagem de aviões, é interrompido
por Cristina. Ela lembra Ronnie que o dia seguinte
começaria para ele às 5h30. O top gun
Ronnie Von deixa a base aérea. Não sem
antes anotar o nome da esposa do comandante da FAB,
que o recebeu cordialmente, para lhe enviar flores
no dia seguinte.
Agradecimentos: fab/
base aérea de são paulo |