7 de fevereiro de 2000
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Show business

A máquina de dinheiro dos famosos
O empresário Marcos Saraiva começou a carreira com o sogro, Maurício de Souz a, usa três celulares para acompanhar os negócios e vai faturar este ano R$ 15 milhões cuidando da carrei ra e das marcas de artistas

Alessandra Nalio

Foto: Piti Reali

Para começar, ele é o marido da Mônica, filha e inspiradora do desenhista Maurício de Souza para a personagem que vive em estado beligerante com o Cebolinha. O economista Marcos Saraiva, 42 anos, casado há 18 anos, começou a trabalhar com licenciamento de marcas e hoje é um concorrido empresário de estrelas. É ele quem decide - ou ajuda a decidir - qual será o melhor momento para Joana Prado, a Feiticeira, tirar o véu. "Sou pago para aconselhar o artista sobre qual a melhor decisão a tomar", diz ele.

Dono de três celulares, Saraiva trabalha 14 horas por dia. Empresaria ainda a VJ Sabrina Parlatore e por alguns anos cuidou pessoalmente da carreira de Angélica, de quem continua responsável pelo licenciamento de produtos e contratos de trabalho com a gravadora e a Rede Globo. Também negociou a ida de Ana Bárbara Xavier, a Babi, para o SBT. Nos próximos dias, começa a cuidar da marca de Cátia Fonseca, apresentadora do Note e Anote, da Rede Record. Também vai intermediar o licenciamento de produtos do programa O+, da Bandeirantes.

Seu trabalho inclui o desafio de transformar uma pessoa anônima numa figura pública. Aconteceu com Joana Prado, quando virou Feiticeira. "Em 15 dias, ela passou de ilustre desconhecida a estrela. Teve de ser construída psicologicamente, no modo de se vestir, de se comportar, onde ir ou não", relata. Saraiva fez Joana mudar de hábitos, como dormir e acordar cedo e andar acompanhada de um segurança. Traçou-lhe um plano de carreira que prevê o fim da Feiticeira.

Na opinião de Joana, Saraiva acertou na estratégia. "É um bom empresário. Sei que a Feiticeira vai acabar, mas não quero que ela suma de repente. Ele disse que tem que ser aos poucos, porque 99% das pessoas me conhecem como Feiticeira e não como Joana." Foi Saraiva quem procurou Joana em março de 1999, quando ela surgiu no H, da Bandeirantes, convidada por Luciano Huck. "Às vezes ficamos irritados, mas sempre entramos num acordo", diz ela. O segredo do sucesso de uma relação ao mesmo tempo profissional e de extrema proximidade é, na opinião de Saraiva, estabelecer limites. "O empresário não deve cuidar do dinheiro do artista", diz ele. "Sobre isso, nem dou palpite, porque se o artista perde, você é o culpado."

A oportunidade de empresariar artistas nasceu de sua atividade inicial, a de licenciar marcas de pessoas famosas. Há quatro anos, Saraiva montou sua empresa, a Marcas Licensing & Marketing. Além de Angélica (brinquedos e produtos de limpeza) e Sabrina (cadernos), representa nomes como a apresentadora Hebe Camargo (de panelas a lingerie) e as duplas Zezé Di Camargo & Luciano (roupas), Sandy & Junior (brinquedos e jeans) e Chitãozinho & Xororó (bolsas e cintos) em negociações com indústrias e prestadores de serviços que pagam royalties e comissões para levar os nomes das personalidades aos seus produtos. "Esse tipo de trabalho está começando no Brasil. Hoje, estamos só com o topo das celebridades, há uma infinidade de segmentos para explorar", diz. Ele prevê para este ano um faturamento de R$ 15 milhões em sua empresa, que emprega 30 funcionários e é a quarta maior do mercado.

Saraiva começou sua carreira há 20 anos, quando foi convidado pelo então futuro sogro, o desenhista Maurício de Souza, para trabalhar na sua empresa, a Maurício de Souza Produções, no ramo de licenciamento de produtos, onde ficou por sete anos. Formado pela universidade Mackenzie, entrou para essa área depois que conheceu Mônica. Hoje, têm dois filhos, uma garota de 17 anos e um menino de 13. "Somos concorrentes. A Mônica é diretora geral da Maurício de Souza. Ela tem os segredos dela e eu, os meus", conta.

Os licenciamentos são sua mina de ouro. Embora Angélica seja ainda sua maior fonte de renda - é uma marca estabilizada dentro da empresa -, ele considera Sandy & Júnior e Hebe Camargo seus negócios mais promissores. "Em volume de negócios, a Hebe é meu carro-chefe. É a mais novinha que tenho. Estou com ela há nove meses e é um fenômeno", diz ele. "Ela tem credibilidade e é extremamente inteligente, experimenta todos os produtos. Se não gostar, ela não faz." Sandy & Junior são os clientes mais exigentes, segundo Saraiva, e têm carreira meticulosamente planejada. Recentemente, ele aprovou um contrato com uma fábrica para fazer as bolsas de Chitãozinho & Xororó mas não conseguiu aprovar com a mesma empresa a confecção do mesmo produto para Sandy & Junior. "A carreira deles terá longuíssima duração. Não estouraram de uma vez e crescem aos poucos. Isso é muito bom. Quando você chega ao ápice de uma vez, a tendência é cair", diz.

O empresário compara, por exemplo, a carreira de nove meses da Feiticeira à da dupla adolescente. Para Saraiva, por mais experiente que seja no assunto, não dá para explorar suficientemente um sucesso meteórico como o da loira que usa véu. A escalada gradativa, segundo ele, facilita os negócios e, aí, tira-se proveito do sucesso em 100%. "Sandy & Junior conseguem vender 500 mil, 600 mil, 700 mil discos. Enquanto a Feiticeira, se lançar um disco, vai vender um número bastante menor", analisa.

E, claro, dependendo do perfil e da trajetória do artista, o conceito de topo do sucesso também é relativo. Na visão do empresário, topo não significa necessariamente estar na Rede Globo. "A Globo é a melhor, não há dúvida. Mas o Ratinho está melhor no SBT do que estaria na Globo", cita. "Para Ana Maria Braga, a Globo não funcionou. O Luciano Huck, no ápice da carreira dele, está na Globo. Se vai dar certo, eu não sei."

No caso da cliente Angélica, Saraiva batalhou para ela sair da Globo. Ano passado, quando ainda era seu empresário pessoal, ele tentou levá-la para a Record, mas a apresentadora não quis. "Estar dentro de uma emissora onde há várias estrelas é diferente de estar numa onde ela é a estrela", defende. "Na Record, onde há quatro ou cinco estrelas, Eliana tem um programa que só cresce e uma emissora voltada para ela." Segundo Márcia Ksyvickis, irmã e assessora de Angélica, a apresentadora não saiu da Globo por não se sentir confortável em quebrar um contrato. "Na época, ela disse ao Saraiva que só sairia se recebesse uma proposta indecente. Ela é muito ética e responsável", diz Márcia. A assessora afirma que Angélica dispensou Saraiva como empresário, pois ele estava abarrotado de clientes. "Ela pagava um empresário para estar com ela o tempo todo. E isso não vinha ocorrendo."

Envie esta página para um amigoSaraiva acha que fez o seu papel nas tentativas de convencê-la a ter um novo rumo na carreira. "A Angélica tem talento de sobra para virar uma Marília Gabriela, uma Hebe Camargo". Quando estrear seu novo programa, o empresário acredita que a apresentadora dará novo impulso à carreira. "Vamos reposicioná-la no mercado infantil. Agora, ela tem de migrar de público, oferecer produtos com seu nome a adolescentes e adultos." Público é questão primordial, na visão do empresário. Tanto é que ele defende que Sabrina Parlatore continue como VJ na MTV. "O público a respeita e ela tem uma sintonia maior com esse segmento do que numa grande emissora", diz. Por isso, ele acha que a passagem dela pela Rede Bandeirantes não daria certo. "Pago para ele, com muito prazer, 20% de tudo que ganho. Depois dele, minha vida mudou", elogia Sabrina.

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