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A provocação de Leo, filho de Plínio Marcos
Ele é contratado de uma agência de publicidade para escrever uma coluna interna e provocar os companheiros de trabalho

Paula Alzugaray

Foto: Alexandre Tokitaka

Todas as tardes, o dramaturgo Leo Lama - filho de Plínio Marcos, morto recentemente - sai de seu apartamento na avenida Paulista e se dirige a um dos mais modernos prédios construídos no novo pólo comercial da cidade de São Paulo, o edifício Robocop. Sobe ao primeiro andar, entra na agência de publicidade Loducca e senta-se diante do computador, empenhado na tarefa de escrever peças e textos. Cercado de redatores envolvidos em campanhas de clientes como a America On Line e Sabesp, Lama, 35 anos, escreveu nesse ambiente, recentemente, duas peças de teatro, entre elas O Amor de Madalena por Jesus, em cartaz no TBC, em São Paulo.

Parece teatro do absurdo? Pois é, mas não é. "Fui contratado para escrever minhas peças e para inquietar as pessoas que trabalham aqui", explica. "Escrevo na agência uma coluna intranet que se chama 'No Palácio das Mentiras', título que é uma referência à própria publicidade." São textos sobre diversos temas: de reflexões sobre o trabalho até crônicas de futebol, poemas de amor e contos sobre espiritualidade. "É um lugar interessante de se trabalhar.

O Celso Loducca faz isso para preservar a estrutura ideológica da agência", diz Lama. "Nunca tive nenhum tipo de censura, mesmo quando escrevi um texto chamado 'Cortes e Cicatrizes', um dia depois de algumas pessoas terem sido mandadas embora", conta ele, que já balançou o coreto quando promoveu a leitura de sua peça Putas entre as mulheres da agência.

A parceria rende boas trocas na agência e trouxe ótimos frutos para o autor de teatro Leo Lama, que surgiu em cena nos anos 80, aos 21 anos, com o estouro de bilheteria Dores de Amores, estrelado por Malu Mader. "Fiquei muito assustado com o assédio barato que o sucesso trouxe. A Malu Mader era quase um Beatle, que não podia sair na rua", conta. "Sinceramente, não quero ser famoso." Decidiu então não trabalhar mais com atores globais e tem procurado maneiras alternativas de vender o seu teatro. Uma delas foi montar uma escola, que funcionou durante três anos.

A mais recente é seu trabalho na agência, onde ele escreveu - uma semana depois da morte Plínio Marcos - uma peça sobre a ausência, "o amor de uma pessoa querida que foi embora. É a história de Maria Madalena, uma mulher que sai em busca de seu amado e não o encontra".

Oito da noite, Leo deixa o edifício Robocop e dirige-se para o centro da cidade, para acompanhar as apresentações de suas duas peças em cartaz: O Amor de Madalena por Jesus e Baudelaire, o Pai do Rock, que aborda o artista maldito nas figuras de Baudelaire, Renato Russo, Kurt Cobain e Plínio Marcos, entre outros. "Meu pai sempre foi muito prestigiado, mas sempre teve dificuldade para montar suas peças. Morreu sem dinheiro."

Num texto recente que publicou no "Palácio das Mentiras" Leo comemora o convite e o dinheiro que recebeu do Teatro Popular do Sesi para encenar uma peça em homenagem a Plínio Marcos, em fevereiro. "Homenagem para o artista é emprego", escreve o autor de Prisioneiros de uma Canção - que reúne músicas feitas em parceria com o pai. "A verdadeira homenagem é o Sesi me ajudar a montar esta peça. Com isto, sim, meu pai ficaria feliz."

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