Reportagens  
Há três meses ela namora o músico Rodrigo Sha, de 27
anos: “Ele é evoluído, zen, medita como eu”, conta Carol, que é adepta do budismo
• • •

Capa
Maré alta para Carol Castro

Destaque em Senhora do Destino, a atriz de 20 anos estrela filme argentino de US$ 1,5 milhão, conta como uma hepatite a prejudicou no trabalho e demole o mito de que fazer sucesso na Globo é garantia de estabilidade financeira

Clique aqui para conferir o ensaio fotográfico com Carol Castro

Enviar para um amigo


texto: Carla Felícia
fotos: Alexandre Sant’anna
De espartilho e meia sete oitavos, metralhadora na mão, fugindo de explosões, tomando banho nua. É assim, como uma mulher que ao mesmo tempo intimida e provoca, que Carol Castro surge no filme argentino Perigosa Obsessão, aventura policial do diretor Raúl Rodriguez Peila, há duas semanas em cartaz no país vizinho. Um ano após seduzir o Brasil com sua exuberância e carisma em Mulheres Apaixonadas, a atriz hoje se destaca em Senhora do Destino e vê seus domínios se expandirem. Na pré-estréia do longa, num luxuoso hotel de Buenos Aires, foram cinco horas de entrevistas a jornais, revistas, emissoras de rádio e tevê locais. Todos queriam saber mais sobre a bela morena brasileira de 20 anos que protagoniza o filme ao lado do Reynaldo Gianecchini e do Thiago Lacerda da tevê argentina.

Em breve, é possível que essa curiosidade brote em outros países. Superprodução para os padrões portenhos – custou US$ 1,5 milhão – Perigosa Obsessão pretende ganhar o mercado latino. Começa com a participação no Festival do Rio, a partir da sexta-feira 1º. “Ainda não caiu a ficha, não tenho idéia da proporção que isso vai tomar”, avalia Carol, cuja experiência em cinema até então se resumia a uma participação em O Caminho das Nuvens, de Vicente Amorim. “Mas espero ir para o mundo mesmo, trabalhar lá fora.” Passo tão grande na carreira já seria suficiente para deixar este ano marcado na vida da atriz. Mas 2004 tem sido, sobretudo, um ano de amadurecimento. “Tenho muita responsabilidade para uma menina de 20 anos”, diz.

A principal delas é financeira. Desde janeiro, quando a mãe dela, a terapeuta e professora de ioga Cecília Castelo Branco, ficou desempregada, Carol sustenta as duas. Elas moram num apartamento de três quartos na Barra da Tijuca. Por um instante, a atriz hesita, mas acaba se abrindo e enterra o mito de que trabalhar na Globo é garantia de estabilidade. Sem constrangimento, assume que vive uma situação delicada. “É tudo ilusão. Não é com salário de início de carreira que se consegue pagar as contas da casa.” Como milhões de brasileiros, o início do mês – quando vence o aluguel – é sinônimo de angústia para ela. E existe uma preocupação a mais, trazida pelo fato de estar na novela das oito. “Você tem de ostentar uma vida de glamour que não existe na realidade”, diz. “Preciso me vestir bem, cuidar do corpo, da pele, do cabelo. E isso custa caro.”

Cecília reconhece que é muito peso em cima da filha. “É difícil
para mim também”, afirma. “Me sinto incomodada com essa inversão de papéis. Parece que ela é a mãe e eu, a filha”. Do pai, o ator e diretor Luca de Castro, que se separou de Cecília quando a filha tinha 4 anos, Carol recebe pensão. Mas este mês pediu ajuda extra. “Temos uma relação muito próxima, ela sempre me procura quando precisa, como agora”, conta Luca. Numa temporada morando com o pai, ela decidiu ser atriz.

Comente esta matéria