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Vanessa separou-se de Thiago Lacerda e viajou para a Europa, mas tem projeto de dirigir um curta e de montar uma peça da mãe

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Família
Começar de novo
Recém-separada de Thiago Lacerda,
Vanessa Lóes retoma a convivência com sua mãe, a atriz e cineasta Dilma Lóes, depois de um afastamento de dez anos

texto: Mariane Morisawa
fotos: Wellington Cerqueira

–Outro dia, ela foi ao banco brigar, porque tem uma lei no Rio que diz que você não pode esperar mais de 20 minutos na fila do banco – conta, orgulhosa, Vanessa Lóes sobre sua mãe, a também atriz e cineasta Dilma Lóes.

– Eu me meto em tudo, ainda mais porque estou vindo de um país em que as coisas funcionam – diz Dilma, 54 anos.

O diálogo travado num hotel na cidade gaúcha de Gramado pode parecer uma simples conversa entre mãe e filha, mas tem cara de retomada. Dilma Lóes voltou ao Brasil há cerca de um ano, após dez morando nos Estados Unidos. Ela se mudou para lá com o filho mais novo, depois que sua casa no Rio foi invadida por bandidos e um homem foi morto pela polícia em frente ao portão. Vanessa, que tinha 21 anos, quis permanecer no Brasil.

– Ficou um buraco. Uma das coisas que eu fico feliz de estar aqui é de poder...

– Fazer a gente se reaproximar, né?

–É como um resgate. Sentia que tinha esse buraco e que podia reparar. Que pos-so e quero. Por isso voltei e porque minha mãe ficou doente – emociona-se Dilma.

– Ela veio cuidar das mulheres da vida dela.

A volta, portanto, é como um recomeço para mãe e filha, que moram juntas. No momento, Vanessa está em férias. Recém-separada de Thiago Lacerda, ela iria encontrá-lo em Portugal, mas está sozinha de mochila nas costas pela Europa. No seu retorno, são vários os projetos com Dilma. Vanessa, que sempre achou que tinha olho de diretora – herança tanto da mãe quanto do pai, Victor de Mello –, quer dirigir um curta escrito por Dilma, Minha Mãe e Eu. Em outubro, elas finalizam as filmagens do longa de José Eduardo Alcazar, que começou a ser rodado há mais de duas décadas. Vanessa tinha 8 anos quando participou. E existe o projeto de montar uma peça musical de Dilma para crianças, Se a Banana Prender, o Mamão Solta. Além disso, a mãe, que abandonou a carreira de atriz nos anos 70, depois de novelas como O Bem-Amado e comédias no cinema, volta a atuar no longa Cafuné, de Bruno Vianna, que a encontrou na internet.

Filha e neta de atrizes, Vanessa resistiu em adotar a profissão e chegou a cursar a faculdade de Desenho Industrial. “A inconstância me incomodava”, diz ela. Mas, quando era pequena, ela às vezes entrava no palco ou ficava fazendo cena na frente do espelho. E admira o que viu do trabalho da mãe, que deixou de ser atriz quando Vanessa ainda era criança.

– Gosto de Ascensão e Queda de um Paquera, que meu pai dirigiu. Gosto do humor dela. Acho que nunca tinha falado isso, né, mãe? E nunca perguntei para ela qual trabalho meu ela mais gostou.

– Televisão, eu não acompanhei muito.

– Ela ficou dez anos fora. Tenho dez anos de carreira, ela ficou dez anos fora.

Dilma e Vanessa, mãe e filha, ainda têm muito o que colocar em dia.
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