| Maria
Julia Miele estava grávida de sete meses quando recebeu
a notícia: a menina que estava esperando tinha um
problema no coração. Os meses que se seguiram
foram dolorosos de tal maneira que só quem passou
pela experiência de ter um filho gravemente doente
pode descrever. E foi isso que a terapeuta corporal de 37
anos fez: começou a colocar no computador a sua história
de amor e dedicação e da luta da pequena Sofia
para sobreviver. Os longos períodos no hospital,
as cirurgias, as melhoras e recaídas. “Doía
tanto falar. A saída que encontrei foi pôr
para fora. Escrevendo, em silêncio, parecia que a
dor era menor”, conta ela.
O relato emocionado acaba de ser publicado com o título
de Mãe de UTI – Amor Incondicional (Terceiro
Nome, 176 págs., R$ 31). “Virou livro por acaso,
um dia, quando a Sofia já tinha falecido, minha mãe
abriu e começou a ler. Ela me convenceu a torná-lo
público pois ajudaria outras mães nessa situação.”
O apoio de Maria Julia vai além. Ela fundou a ONG
Gahmpi
(Grupo de Apoio Humano a Mães e Pais Intensivistas).
“Digo a todos para não terem preconceito com
a situação.
Eu me preocupava em olhar minha filha, o cabelo dela, a
cor dos olhos, se ela estava bonitinha, e não em
enxergar a deficiência”, lembra a escritora.
“Quem passa por isso cria um pouco de cascas. Começa
a valorizar muito as coisas boas da vida e a minimizar as
ruins.”
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