Veja também outros sites:
 
   
Reportagens

Enviar para um amigo

Música
O sucesso do cover
Compositor que já vendeu perto de um milhão de CDs regravando artistas internacionais, Emmerson Nogueira conta que produziu
o primeiro disco dentro do quarto-e-sala em que morava e diz que Caetano Veloso gravou A Foreign Sound depois de ouvir seu CD

“Sou fã do Caetano, mas acho ruim ele não ter assumido que ouviu meu CD e achou interessante fazer uma coisa parecida”, diz ele sobre o último CD de Caetano Veloso, que faz regravações de alguns hits internacionais

Daniel Bergamasco
foto: Felipe Barra

Com verba de apenas R$ 12 mil para produzir o primeiro disco, o cantor Emmerson Nogueira não teve dúvidas em apelar mais uma vez para seu estúdio caseiro. O ano era o de 2001, o cenário, o pequeno quarto-e-sala onde morava nos fundos de um clube de tênis, imóvel normalmente alugado aos funcionários do local, no Rio de Janeiro. Colchões e cobertores nas paredes faziam a acústica para não incomodar a vizinhança. “Meu primeiro disco (Versão Acústica) é totalmente Frankenstein”, diz o músico.

Nogueira vem traçando, por linhas tortas, uma história singular no mercado fonográfico brasileiro. Foi como compositor que ele
assinou o primeiro contrato com a Sony, em 2001. Não emplacou nenhuma música
em discos de artistas consagrados, mas conseguiu convencer produtores da gravadora
a fazer um disco, a custo baixo, com covers de hits internacionais. “Foi um projeto modesto, sem divulgação.”

Regravando canções como “Hotel California”, do Eagles, ele desenvolveu sua própria estratégia de marketing por meio da internet. “Passava as madrugadas sugerindo às pessoas no ICQ que comprassem o CD no portal da Sony”, lembra. “Em pouco tempo, meu disco era o quinto mais vendido do site”, comemora. Hoje, com quatro álbuns lançados, ele está perto de 1 milhão de cópias vendidas. “Invisto meus ganhos em instrumentos musicais e CDs raros de bandas como Led Zeppelin”, diz ele, que dirige uma caminhonete Chevrolet Tracker e mora em apartamento alugado na Barra da Tijuca.

O técnico de som Renato Dias, 34, que trabalha com o cantor há dois anos, conta que Emmerson demorou para conseguir estrutura profissional nos shows. “Com dois CDs lançados, éramos três na equipe: Emmerson, um roadie (que carrega os instrumentos) e eu. Hoje somos 15 pessoas”. Com o sucesso nos covers, porém, Emmerson viu surgir trabalhos com proposta semelhante à sua, entre eles o recente A Foreign Sound de Caetano Veloso. “Sou fã do Caetano, mas acho ruim ele não ter assumido que ouviu meu CD e achou interessante fazer uma coisa parecida.”

Mineiro de Belo Horizonte, filho de um contador e uma dona-de-casa, Emmerson despertou para a música em rodas de capoeira, aos 12 anos, tocando berimbau, atabaque e pandeiro. Chegou ao Rio, em 2000, em busca de gravadora. Hoje, bem-sucedido, costuma recusar convites para participar de programas de tevê, como o Domingão do Faustão. “Sou convidado o tempo inteiro, mas dificilmente vou. Para as pessoas me verem tocando Pink Floyd, é preferível que elas vejam o próprio Pink Floyd. Além disso, a televisão não apresenta estrutura para fazer um show legal.”

Comente esta matéria