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Camila passou de 52
para 45 quilos: “Comia gelatina diet e em 15 minutos já estava com fome”

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O batismo de Camila
Camila Morgado, que estréia no cinema com
Olga, perdeu sete quilos, raspou a cabeça,
dormiu três noites num quartel e tremeu nas primeiras aulas de tiro durante a dura preparação para viver a militante comunista e judia que conquistou Luís Carlos Prestes

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Ping-Pong: "É um filme de sentimentos, olhares e gestos"

texto: Mariane Morisawa
fotos: Edu Lopes


Quando a água da torneira da pia correu pela cabeça que Camila Morgado acabara de raspar, ela agradeceu. Para a atriz de 29 anos que aos 17 foi reprovada no vestibular para medicina, era como se Olga Benario a batizasse e desse-lhe boas-vindas pela estréia no cinema. “A Olga tinha a generosidade de dar a vida por uma causa, e o mínimo que eu podia fazer era ter um despojamento total da vaidade”, diz ela, que começou a estudar teatro depois da má experiência como vestibulanda de ciências médicas. Camila Ribeiro da Silva – ela adotou o Morgado da avó materna como nome artístico –, filha do comerciante Orlando com a dona-de-casa Regina, não escondia a careca nem usava maquiagem mesmo fora das filmagens. As unhas ela já não pintava mesmo – nem com esmalte clarinho – por ser alérgica. Decididamente Camila Morgado mergulhou em Olga, de Jayme Monjardim, no qual interpreta a militante comunista e judia, apaixonada por Luís Carlos Prestes e mandada por Getúlio Vargas para morrer num campo de concentração nazista.

A preparação foi intensa, tomando-lhe o dia inteiro durante dois meses e meio. Para viver uma alemã com treinamento na Rússia, Camila, que se vira no inglês, teve aulas dos dois idiomas. “No começo, sentia muita dor nos músculos da face, porque o posicionamento da língua no alemão é totalmente diferente do nosso”, conta ela, cuja formação teatral tem o rigor de Antunes Filho seguido pela experiência com Gerald Thomas. Paralelamente, leu sobre Primeira e Segunda Guerra Mundiais, Revolução Russa, Coluna Prestes, Holocausto, viu filmes e releu o livro de Fernando Morais. A atriz, que foi uma criança introspectiva e sem artistas na família, compôs uma espécie de reserva de inspiração. Para o set de Olga, sempre carregava as trilhas sonoras de As Horas, de Philip Glass, O Piano e Fim de Caso, ambas de Michael Nyman. As imagens, ela recorta de jornal e coloca numa pasta. “Sou obcecada não só por fotos, mas por papéis. Guardo textos, entrevistas, sublinho frases”, conta ela, que mais uma vez precisou eliminar o sotaque carioca. Com o ator Caco Ciocler, que vive Luís Carlos Prestes, ela trocou e-mails para criar intimidade. “Aos poucos, a gente foi reproduzindo o comportamento de Prestes e Olga, nos chamando de Minha Pequena e Karli. Ficávamos ansiosos por receber os e-mails”, conta Caco. Camila, que já viveu com um produtor – cujo nome não divulga –, divide hoje um apartamento no Jardim Botânico, no Rio, com a atriz Ludmila Rosa e diz que está sem namorado.

Além do intelecto, a atriz precisou doutrinar o corpo. Ganhou massa muscular e resistência física, com auxílio de um personal trainer em sessões de musculação e esteira, que ela nunca faz, e natação, que pratica diariamente. O treinamento de guerrilheira da verdadeira Olga Benario levou a disciplinada Camila a dormir três noites num quartel. “Tinha que acordar às 5h da manhã fardada”, diz a atriz, que costuma levantar entre 9h e 10h. “Todos me olhavam com vontade de rir, porque eu botava a farda errado, meu coturno era 39 e eu calço 36.” Camila se lembrou da infância em Petrópolis, onde nasceu, quando montava cabana em árvore, corria de pé no chão e jogava bola com os meninos. A preparação incluiu aulas de defesa pessoal e tiro, que hoje a atriz adora, mas que a apavoravam no início. “Ficava com a mão suada e tremia só de ver a arma. Nem contei para o Jayme para ele não se desesperar”, diz ela, que estreou na minissérie A Casa das Sete Mulheres depois de um teste com Jayme para O Clone. Foi fundamental a ajuda do instrutor de tiros Elmo Vaz. Ele a ensinou a montar e desmontar a arma e a dominá-la. “Na terceira vez, ela já dava tiros de 25 metros numa garrafinha de água mineral. É uma guerrilheira nata”, diz ele.

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