Atenas 2004
Jadel,
a estrela do atletismo
Dono
da segunda melhor marca do mundo
no salto triplo, Jadel Gregório foi criado
pela mãe e, na infância, trabalhou como pedreiro, office-boy
e sorveteiro
texto:
Jonas
Furtado
fotos: Wellington
Cerqueira
Ele
é o herdeiro de uma tradição verde-amarela
em olimpíadas. É dele a segunda melhor marca
do ano no salto triplo (17,72 metros) em pista descoberta,
a mesma onde serão as disputas da Olimpíada.
Jadel Gregório é atualmente o grande nome
do atletismo nacional e tem tudo para dar continuidade a
um histórico brasileiro de medalhas na modalidade:
são seis, no total. Duas de ouro, ambas ganhas por
Adhemar Ferreira da Silva, em 1952 e 1956, uma de prata,
conquistada por Nélson Prudêncio em 1968, e
três de bronze, com Prudêncio, em 1972, e João
do Pulo, em 1976 e 1980. Mas, às vésperas
dos Jogos Olímpicos, o paranaense de Jandaia do Sul
não quer saber de pressão por resultados.
“A cobrança por uma medalha me incomoda bastante”,
diz o atleta de 2,02 metros de altura e 102 quilos, cujo
biotipo está mais para um jogador de basquete da
NBA (liga profissional americana) do que para saltador.
“Quem tem que cobrar são as pessoas que sempre
estiveram ao meu lado. Não devo nada a ninguém.
Se alguém acha que prata é pouco que comece
a treinar”, desafia. A rotina em busca do pódio
na Grécia é árdua. Jadel treina quatro
horas por dia, sem contar a parte de musculação,
e passa metade do ano fora do País, longe da família,
que vive em Marília, para onde se mudou aos quatro
anos. Folga só aos domingos.
O atleta foi criado pela mãe e nunca teve muito contato
com o pai, que faleceu em 1997. “Passei por muitas
dificuldades. Tive que trabalhar desde pequeno para ajudar
em casa. Fui pedreiro, office-boy, sorveteiro. Às
vezes, nem tínhamos muito o que comer”, conta.
“Mas as dificuldades só fazem com que você
aprenda, são como incentivo. Se me acomodo, lembro
da época em que passava necessidade e volto a dar
mais de mim para não passar por tudo aquilo de novo.”
Por conta das longas viagens e exaustivas competições,
Jadel teve que trancar as faculdades de educação
física e publicidade que cursava. Mas, ciente de que
a carreira de um atleta profissional é curta, ele quer
voltar aos estudos e já faz planos para o futuro. “Vou
cursar fisioterapia e abrir uma clínica onde possa
colocar em prática tudo o que aprendi após passar
por sessões e mais sessões para me recuperar
de contusões.” Aos 23 anos, ele só não
quer planejar o casamento. “Tem muita mulher que manda
beijo, fala que sou gostoso, que quer casar, e isso e aquilo.
Mas não me vejo assim. Se tiver que conhecer alguém,
tudo bem, mas nada de levar a coisa muito a sério,
não.”
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