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Jorge Ben Jor:
programações eletrônicas e letras sempre diretas

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Reactivus Amor Est
Falta inspiração no primeiro CD de inéditas
de Jorge Ben Jor em nove anos

Mauro Ferreira

A alquimia de Jorge Ben Jor ganha generosas poções de eletrônica no primeiro disco de inéditas do cantor em nove
anos. O Zé Pretinho lida com sintetizadores desde os anos
80, mas exagerou na dose em Reactivus Amor Est (Turba Philosophorum). As programações eletrônicas soam excessivas e nada acrescentam ao suingue único de Ben Jor, artista inovador desde 1963, quando apareceu com seu “samba esquema novo”, fazendo som realmente novo, que agregava ao samba sonoridades de bossa nova, soul e, nos anos 70, funk e rock.

Os arranjos sintetizados soam artificiais, mas o principal problema, evidente já no anterior CD de inéditas Homo Sapiens (1995), é a falta de inspiração do compositor. As letras, sempre diretas, criam um mundo regido pela alegria e fraternidade, abordando temas recorrentes na obra de Ben Jor como a exaltação da mulher, o futebol e o universo das ciências e filosofias medievais. Mas as músicas não acompanham a vivacidade dos versos, tornando o CD enfadonho.

O disco fica entre o samba e o funk. O uniforme tratamento eletrônico do disco esmaece o colorido de faixas até razoáveis, como o samba “Maria Helena e Chiquinho”, ode ao casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola carioca Imperatriz Leopoldinense. O erro do artista foi gravar o disco solitariamente, dispensando a contribuição de suas bandas Admiral Jorge V e Banda do Zé Pretinho, com as quais gravou azeitado Acústico MTV em 2001.

Ben Jor recorre à eletrônica para tentar se atualizar, mas seu novo CD soa apenas modernoso e pálido na comparação com
a obra do cantor nos anos 60 e 70. O alquimista chegou mal desta vez. Suingue de laboratório