31 de janeiro de 2000
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Romance

O Leão da Tiazinha
Ator e roqueiro, Eriberto Leão já foi ET na Globo, faz sucesso em musical de Gabriel Villela e diz que a namorada Suzana Alves está mais espiritualizada

Paula Quental

Foto: Pio Figueiroa

Um extraterrestre, um padre revolucionário e um Jesus Cristo que assume identidade de "profetas" do rock como Jim Morrison, Raul Seixas, John Lennon, Cazuza. São personagens místicos e estranhos como esses que o ator e roqueiro Eriberto Leão, 27 anos, tem se especializado em interpretar. O último citado está na ópera-rock Alma de Todos os Tempos, dirigida por Gabriel Villela, que encerrou temporada em São Paulo, segue em turnê pelo interior do Estado e reestréia em maio, no Rio. Estranhos, aliás, é o nome da banda de rock liderada por Eriberto, que estreou com o espetáculo, em setembro. Antes mesmo de lançar o primeiro CD, o que acontece no fim do mês, o grupo foi surpreendido com um fã-clube, com 400 associados. "Atraímos um público fiel que nos assiste várias vezes e recita o texto de cor", conta Eriberto. Em meio ao público seduzido pelo ator está Suzana Alves, a Tiazinha, 21 anos, sua namorada há dois meses. "Ela chapou com o espetáculo", diz ele.

O namoro tornou-se público no réveillon, que os dois passaram juntos em Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, reduto de místicos e esotéricos. "Suzana está lendo mais, está mais espiritualizada", diz Eriberto, que presenteou a namorada com Cartas a um Jovem Poeta, do poeta alemão Rainer Maria Rilke. Ele também é seu par romântico no programa As Aventuras de Tiazinha, da Rede Bandeirantes. "Cada um tem o seu estilo, até para se vestir: ela com os vestidos Prada e eu com tênis." O casal se conheceu por intermédio do ex-diretor da série, Del Rangel. Ele apresentou Suzana, primeiro, ao pai do ator, Eriberto Monteiro, empresário de artistas como Fagner, Regina Duarte e Gabriela Duarte. Monteiro acabou aceitando empresariar Suzana. "Ela é uma menina de excelente índole, que tem talento e carisma e estava mal assessorada", diz ele. Eriberto, o filho, conta que Suzana cativou a família inteira, incluindo sua mãe, Thelma: "Ela espalhou retratos da Suzana pela casa e me avisou que com ela é coisa séria", diz o ator.

Eriberto não se diz preocupado em ser tachado de oportunista por causa da namorada famosa. "Eu me garanto. Além disso, se alguém for ver o meu espetáculo atraído pela fama da Tiazinha, vai cair de queixo no chão", avisa. "Desde pequeno convivo com os amigos famosos do meu pai, não me iludo com a fama." Ele conta já ter experimentado o assédio de fãs nas ruas quando interpretou o extraterrestre João, na novela O Amor Está no Ar, exibida pela Rede Globo em 1997, seu papel de maior destaque na televisão. No ano seguinte, fez o padre Walter, em Serras Azuis, da Bandeirantes. No teatro, foi o roqueiro Valente de Ventania, em 1997, também sob direção de Gabriel Villela. "É engraçado que me chamem para esses papéis, sempre fui um estudioso de profecias e de religiões", conta Eriberto, aficionado por discos voadores.

O interesse por objetos voadores e por música aproximou Eriberto dos Hip Monsters, banda de rock que fazia em suas letras referências à existência de vida em outros planetas. O grupo deu origem aos Estranhos, conjunto formado por Eriberto (vocal e guitarra), Johnny Monster, 28 (baixo), e os irmãos Jeff, 30 (bateria), e Jaques Molina, 32 (guitarra). Eles têm seis músicas próprias incluídas no repertório do espetáculo, que reúne clássicos como "Lucy in the Sky with Diamonds", de John Lennon, "Gita", de Raul Seixas, "Carcará", de João do Vale, e "A Internacional", hino comunista. E contam com a interpretação elogiada da cantora-atriz Nábia Villela. "Eles falam o que eu queria ouvir", diz o presidente do fã-clube, Nilton Vasques Valence, 29 anos, que se identificou com a mensagem do grupo, da necessidade de uma "revolução espiritual".

Envie esta página para um amigoO grupo de Eriberto toca três sucessos de Raul Seixas e arrebatou os fãs do roqueiro, morto há dez anos. "Recomendamos o espetáculo aos nossos associados", diz Silvio Passos, presidente do fã-clube oficial de Raul Seixas. Em março, Eriberto incorpora outro personagem alternativo, Vicente, nas filmagens de Hoje É Dia de Rock, adaptação para o cinema da peça de José Vicente feita pelo diretor Neville D'Almeida. A introspecção, traço forte da personalidade do ator, era, na infância, vista como timidez. Por causa dela, uma psicóloga sugeriu aos pais que o matriculassem num curso de teatro, como terapia. Eriberto tornou-se aluno da Escola Célia Helena, em São Paulo, e não deixou mais o palco. Fez Escola de Artes Dramáticas (EAD), na Universidade de São Paulo (USP), e cursou o Actor's Studio, em Nova York. Hoje, o estilo lhe dá um certo ar de guru, talvez a razão para conquistar papéis tão especiais.

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