31 de janeiro de 2000
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Anderson Silva e Eduardo Coimbra

Fotos: Zulmair Rocha

Vestido de noiva
Casal gay casa-se no religioso em Maricá, no Rio, e estuda a possibilidade de ter filhos

No final de 1997, Laísa Versace, 22 anos, então Anderson Silva, ouviu de uma cigana de Niterói, no Rio, que o amor de sua vida era oito anos mais velho que ela. Alguns meses depois, a previsão se confirmou. Anderson trabalhava numa loja de cosméticos quando o esteticista Eduardo Coimbra, 30 anos, entrou à procura de um creme especial, mas o produto estava em falta e ela deu o seu telefone para avisá-lo quando o creme chegasse. Laísa foi despedida da loja logo depois, mas os telefonemas continuaram e os dois começaram a namorar. Dois anos depois, eles disseram o sim ao bispo Carlos II, da Igreja Católica Brasileira Livre, na Pousada Imperiale, um misto de boate e hotel gay, em Itaipuaçu, distrito de Maricá.

Além dos cem convidados dos noivos, cerca de 40 curiosos pagaram ingresso (R$ 5) para assistir ao casamento gay que agitou o Rio de Janeiro no sábado 22. O ápice foi o cantor lírico Raimundo Pereira, presidente do grupo gay Atobá, cantando “Ave-Maria”. A cobrança do ingresso foi revertida para a Pousada Imperiale.

Anderson decidiu virar Laísa há dois meses, quando implantou silicone nos seios e passou a fazer shows como transformista. Mas não optou por submeter-se à operação para a mudança de sexo. A noiva, como de praxe, atrasou. Chegou à Pousada Imperiale duas horas depois do horário previsto, às 20h. O noivo não deixou por menos. Só terminou de se arrumar às 21h40.
Laísa se casou com um modelo bordado pela mãe, que desconhecia o real destino que o vestido teria. “Pedi a ela que fizesse um vestido para uma festa de 15 anos de uma amiga que tinha as mesmas medidas que as minhas”, contou. A mãe de Laísa, no entanto, aprova a relação. Foi ela que deu de presente a casa onde vão morar, em São Gonçalo, no Grande Rio. Mesmo assim, ela não foi ao casamento. Sua ausência foi compensada pela presença da mãe do noivo, Landa Silva Coimbra. “O que importa é que meu filho seja muito feliz”, disse.

Como uma típica noiva, fez questão de cumprir o ritual de atirar o buquê de flores. Ele foi apanhado pelo amigo gay Marcos Vinícius, cabeleireiro. Na segunda-feira 24, Laísa e Eduardo partiram em lua-de-mel para Saquarema, na Região dos Lagos, onde ficarão por uma semana. Na volta, retomarão os negócios na firma de decoração na qual são sócios, Cose Tutti.
O melhor presente que ganharam foi da amiga Márcia Azevedo, 31 anos. Mãe de quatro filhos, ela ofereceu seu útero e seus óvulos para que o casal possa ter um filho. “Sei que vão criar um filho com o mesmo amor que eu”, justificou. Laísa agradeceu, mas ainda não sabe se aceitará a oferta. “Precisamos ter estabilidade financeira. Se aceitarmos, teremos acompanhamento psicológico. É o sonho de toda pessoa ter um filho”, disse a noiva.

 

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