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Anderson
Silva e Eduardo Coimbra
| Fotos:
Zulmair Rocha |
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Vestido
de noiva
Casal
gay casa-se no religioso em Maricá, no Rio, e estuda a possibilidade
de ter filhos
No final
de 1997, Laísa Versace, 22 anos, então Anderson
Silva, ouviu de uma cigana de Niterói, no Rio, que
o amor de sua vida era oito anos mais velho que ela. Alguns
meses depois, a previsão se confirmou. Anderson trabalhava
numa loja de cosméticos quando o esteticista Eduardo
Coimbra, 30 anos, entrou à procura de um creme especial,
mas o produto estava em falta e ela deu o seu telefone para
avisá-lo quando o creme chegasse. Laísa foi
despedida da loja logo depois, mas os telefonemas continuaram
e os dois começaram a namorar. Dois anos depois, eles
disseram o sim ao bispo Carlos II, da Igreja Católica
Brasileira Livre, na Pousada Imperiale, um misto de boate
e hotel gay, em Itaipuaçu, distrito de Maricá.
Além
dos cem convidados dos noivos, cerca de 40 curiosos pagaram
ingresso (R$ 5) para assistir ao casamento gay que agitou
o Rio de Janeiro no sábado 22. O ápice foi o
cantor lírico Raimundo Pereira, presidente do grupo
gay Atobá, cantando Ave-Maria. A cobrança
do ingresso foi revertida para a Pousada Imperiale.
Anderson
decidiu virar Laísa há dois meses, quando implantou
silicone nos seios e passou a fazer shows como transformista.
Mas não optou por submeter-se à operação
para a mudança de sexo. A noiva, como de praxe, atrasou.
Chegou à Pousada Imperiale duas horas depois do horário
previsto, às 20h. O noivo não deixou por menos.
Só terminou de se arrumar às 21h40.
Laísa se casou com um modelo bordado pela mãe,
que desconhecia o real destino que o vestido teria. Pedi
a ela que fizesse um vestido para uma festa de 15 anos de
uma amiga que tinha as mesmas medidas que as minhas,
contou. A mãe de Laísa, no entanto, aprova a
relação. Foi ela que deu de presente a casa
onde vão morar, em São Gonçalo, no Grande
Rio. Mesmo assim, ela não foi ao casamento. Sua ausência
foi compensada pela presença da mãe do noivo,
Landa Silva Coimbra. O que importa é que meu
filho seja muito feliz, disse.
Como uma
típica noiva, fez questão de cumprir o ritual
de atirar o buquê de flores. Ele foi apanhado pelo amigo
gay Marcos Vinícius, cabeleireiro. Na segunda-feira
24, Laísa e Eduardo partiram em lua-de-mel para Saquarema,
na Região dos Lagos, onde ficarão por uma semana.
Na volta, retomarão os negócios na firma de
decoração na qual são sócios,
Cose Tutti.
O melhor presente que ganharam foi da amiga Márcia
Azevedo, 31 anos. Mãe de quatro filhos, ela ofereceu
seu útero e seus óvulos para que o casal possa
ter um filho. Sei que vão criar um filho com
o mesmo amor que eu, justificou. Laísa agradeceu,
mas ainda não sabe se aceitará a oferta. Precisamos
ter estabilidade financeira. Se aceitarmos, teremos acompanhamento
psicológico. É o sonho de toda pessoa ter um
filho, disse a noiva.
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