31 de janeiro de 2000
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Fernando Morais - de Paris

Os errantes pelo mundo segundo as lentes de Salgado
Fotógrafo brasileiro inicia em quatro cidades mostra com ensaio que fez em 47 países com registros de diásporas

Foto: André Dusek

Está pronta a megaexposiçãode fotos intitulada “Êxodos”, que Sebastião Salgado vai inaugurar em abril simultaneamente em Madri, Pequim, Nova York e no Sesc Pompéia, em São Paulo. A mostra é o resultado de cinco anos de trabalho de Salgado em 47 países, nos quais ele fotografou gente que é obrigada a deixar sua terra natal por razões econômicas, políticas, religiosas ou raciais - um projeto que custou US$ 5 milhões. Além de ver as fotos, o público terá oportunidade de comprar o livro e o CD com as músicas da trilha sonora da mostra.

Em julho, quando a exposição for levada para o Rio, haverá um show com artistas brasileiros para levantar fundos para o Instituto Terra, que Salgado e sua mulher, Lélia, criaram em Aimorés, no interior de Minas Gerais.

A chegada da Gucci

Pelo jeito, a crise não é tão grave assim. Animada com a gastança dos brasileiros ricos e famosos, a Maison Gucci pretende abrir uma portinha em São Paulo até o final do ano. Com isso, porá fim ao longo e proveitoso casamento que mantinha com a butique Daslu, há vários anos representante da marca no Brasil.

Guerra aos transgênicos

Depois de agitar a reunião da Organização Mundial do Comércio em Seattle, nos Estados Unidos, o agricultor francês José Bové - batizado pela imprensa de “o Robin Hood da luta contra a globalização” - ataca de novo. Na semana passada Bové, à frente de um comando da sua “Confédération Paysanne”, organizou a destruição de uma fazenda de experimentação de lavoura transgênica do Cirad, organismo científico francês especializado em pesquisa agronômica aplicada, com atuação em 90 países do Terceiro Mundo. O Cirad já entrou na Justiça com um processo de perdas e danos contra Bové - o 17.º do “guerrilheiro do queijo rocquefort”.

O cassoulet de Azambuja

Após uma maratona de entrevistas à televisão e aos jornais franceses - e depois de brilhar no programa de Bernard Pivot na TV France-2 - Jô Soares foi recebido pelo embaixador do Brasil na França, Marcos Azambuja, para um suculento cassoulet. Os convidados eram poucos, mas de calibre grosso: os empresários Roberto Teixeira da Costa, Jorge Hilário de Gouveia, Carlos Mariani e o novo patrão de Jô, João Roberto Marinho. Jô já voltou ao Brasil para organizar a estréia de seu programa na Globo. Os demais partiram para a reunião de Davos, na Suíça.

Chá com companhia

Atenção brasileiras a caminho da França: desde setembro do ano passado, mulher que quiser tomar um chazinho no final da tarde no Fouquet’s, a tradicional brassérie da Avénue Champs Elysées, tem que ir acompanhada do marido (próprio ou alheio, tanto faz). Mulher sozinha não entra mais lá. Apesar de a lei francesa qualificar a discriminação como “atentado à dignidade da pessoa” (artigo 225-1 do Código Penal), o gerente também é explícito: “Nós escolhemos nossa clientela”, justifica, “e não queremos nas nossas mesas proxenetas e mulheres de vida alegre”.

 

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