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Teatro - Foco
Biografias
musicais
Paula
Alzugaray e Ida Vicenzia
| Foto: Divulgação |
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Se música
é uma das paixões nacionais, o teatro musical também
encontrou um lugar cativo entre os brasileiros. Pelo menos é
o que mostra a freqüência de público a este gênero
de produção no ano passado e as diversas estréias
deste verão - que homenageiam grandes figuras da música
brasileira. O ano de 1999 comprovou a vocação popular
do musical: Somos Irmãs, a encenação da vida
das irmãs Linda e Dircinha Batista, dividiu com Pedro Cardoso
o crédito de melhor bilheteria do ano do teatro Hilton, em
São Paulo: 16 mil pessoas em quatro meses. Já Dolores,
biografia de Dolores Duran, levou 40 mil ao teatro, em 11 meses
de apresentações entre o Rio e São Paulo.
Agora chegou
a vez de Elza Soares, a rainha do samba dos anos 50, ser homenageada
em Crioula (Centro Cultural Banco do Brasil - Rio), um retrato em
grande estilo daquela que a autora Stella Miranda considera a personificação
perfeita da "malandra carioca". No palco, quatro atrizes
interpretam Elza - destaque para Eliza Lucinda, poeta e atriz, com
uma interpretação comovente. Tuca Andrada, como Garrincha
- com quem Elza viveu durante 20 anos -, os figurinos exuberantes
de Patrício Bisso, cenários de Gringo Cardia e a supervisão
musical de Tim Rescala dão profissionalismo e contemporaneidade
à montagem.
E, se grandiosidade
é a palavra-chave dos musicais, Crioula não deixa
por menos. Conta com um recurso triunfal: a aparição
da própria Elza Soares em vídeo cantando a música-tema
da peça, "Dura na queda" composta por Chico Buarque.
Noel Feitiço
da Vila chegou ao teatro Hilton, em São Paulo, após
temporada de sucesso no Rio. A peça pretende, de certa forma,
vingar uma lacuna da obra do grande sambista Noel Rosa, que não
chegou a compor para o teatro musical, como Lamartine Babo e Ari
Barroso, na década de 30. Noel deixou em suas letras, no
entanto, a crônica completa de sua vida e de seu tempo, de
onde a diretora Andréia Fernandes extraiu um bom roteiro.
"A essência do gênero é contar uma história
através da música. Por isso, Noel é o protagonista
ideal de um musical", diz ela. Cenários, figurinos e
coreografia, infelizmente não fazem jus aos anos de ouro
dos musicais brasileiros, mas a peça tem outros méritos:
a ótima direção musical de Luís Felipe
de Lima e a interpretação de Marcelo Serrado, que
imprimiu ao personagem de Noel Rosa o timbre de voz e a expressão
corporal perfeitas de um malandro franzino, simpático e extremamente
sedutor.
Textos e letras
deixados pelos roqueiros Raul Seixas e Cazuza também sobem
ao palco este mês. Raul Fora da Lei, em cartaz no teatro Planetário,
no Rio, é um monólogo do ator Roberto Bomtempo, dirigido
pelo cineasta José Joffily (Quem Matou Pixote?). Já
Cazas de Cazuza, que estréia 3 de fevereiro no Tom Brasil,
em São Paulo, promete ser uma montagem de grande porte, como
manda o figurino da Broadway. "Quero encontrar uma linguagem
brasileira de musical sem perder o sentido do show bizz e do entrenimento
que a Broadway tem", diz o jovem diretor Rodrigo Pitta, que
estudou direção de teatro musical em Nova York. Para
isso, Pitta criou uma trama costurada por 17 músicas do poeta
da geração 80. Os arranjos cantados pelo elenco serão
lançados em CD pela Som Livre.
Se a fórmula
continuar dando certo, ano que vem tem mais. "Espero que Cazuza
me dê credibilidade para captar R$ 1 milhão que preciso
para montar O Cortiço", diz Pitta, sobre o projeto que
pretende reunir músicas originais de Caetano, Gil e Carlinhos
Brown.
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