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Teatro - Drama
Apocalipse
1,11
Elenco afinado e direção inspirada
encenam a degradação humana
Eudinyr
Fraga
O diretor Antônio
Araújo quis dar, através de uma trilogia, uma visão
da queda do homem - O Paraíso Perdido -, dos sofrimentos
que lhe são impostos na vida contemporânea - O Livro
de Jó -, e do final dos tempos, o atual Apocalipse 1,11.
Com dramaturgia de Fernando Bonassi e encenação dentro
de um presídio desativado de São Paulo, não
se pretendeu ilustrar o Evangelho do Novo Testamento, atribuído
a São João, mas mostrar os terríveis flagelos
decorrentes da degradação dos homens.
Designado a
escrever sobre as desgraças que se abaterão sobre
a humanidade, João (o ator Vanderlei Bernardino) remete-se
a sete cidades. Coerentemente, a cidade de São Paulo torna-se,
na montagem, uma das sete na qual a depravação do
ser humano tornou-se insuportável.
João
está à procura de Nova Jerusalém e seu itinerário
se desenvolve como em quadros de uma paixão, contemplando
toda a sorte de perversões. Além de Bernardino, destacam-se
Joelson Medeiros, Mariana Lima e Sérgio Silveiro. Na verdade,
é um enorme trabalho coletivo no qual luz, sonoridade, música
e adereços se conjugam sob a direção inspirada
de Araújo.
Ao livrar-se
do medo, raiz primordial da infelicidade humana, João parte,
abrindo uma série de grades, libertando os espectadores também.
O que não deixa de ser um final feliz...
Noite entre grades
Até
30/4 - Presídio do Hipódromo - Rua do Hipódromo,
600 - São Paulo
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