31 de janeiro de 2000
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Teatro - Monólogo

Amigos para Sempre
Tônia Carrero conta sua história em monólogo bem dirigido

Eudinyr Fraga

Foto: Pedro Cavalcanti

Engana-se quem pensa que vai ouvir na peça Amigos para Sempre uma série de fofocas de Tônia sobre sua longa carreira e, em especial, sobre seus colegas de profissão. Mesmo sobre seu particular amigo Paulo Autran, presente na estréia no Teatro Renaissance, em São Paulo, faz apenas carinhosa e ligeira referência.

O que se prioriza são as relações de amizade com escritores, tais como Aníbal Machado, Nelson Rodrigues, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector ou Rubem Braga. Aliás, é extremamente divertida e mesmo comovente a narração dos contatos com o último.

O relato do cacho de cabelos dado ao nosso cronista maior e devolvido dentro de uma jóia, pouco antes de morrer, tem sabor delicado e travo agridoce. Mas, em geral, Tônia não está preocupada em ajustar contas com o passado e poderia dizer, como o escritor gaúcho Álvaro Moreira: "As amarguras... não".

O texto escrito a quatro mãos pela própria atriz e Luiz Arthur Nunes (que também dirige o espetáculo) flui com espontaneidade, dando sempre a impressão de que está sendo improvisado no momento. Tônia interpreta-o com garra, visivelmente nervosa, no primeiro momento, ao enfrentar a platéia (quem diria!), logo se soltando, utilizando muito bem sua bela voz.

É interessante notar como usa os registros graves para dar uma nota maliciosa ou, então, para transformar-se em espectadora do que narra.

Um único senão, fácil de corrigir: o estímulo à participação do público, ao entrar em cena, o que poderá lhe dar certo apoio, mas que resvala para programa de auditório. Nunes dirige com leveza, apropriadamente, o espetáculo, mas não deveria ter imposto à atriz o ajoelhar-se em cena, marcação que parece gratuita.

No mais, Tônia parece querer comprovar que o importante é o amigo "que não decepciona" e sua confissão final é de que todos nós sentimos a necessidade de ser amados. E que esse amor dado pelo público anônimo e retribuído pela intérprete justifica plenamente a quase inteira existência devotada ao palco.
A estrela brilha

Até 6 de fevereiro - Teatro Renaissance - Al. Santos, 2.233 - São Paulo

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