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Teatro - Monólogo
Amigos para
Sempre
Tônia Carrero conta sua história
em monólogo bem dirigido
Eudinyr
Fraga
| Foto: Pedro
Cavalcanti |
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Engana-se quem
pensa que vai ouvir na peça Amigos para Sempre uma série
de fofocas de Tônia sobre sua longa carreira e, em especial,
sobre seus colegas de profissão. Mesmo sobre seu particular
amigo Paulo Autran, presente na estréia no Teatro Renaissance,
em São Paulo, faz apenas carinhosa e ligeira referência.
O que se prioriza
são as relações de amizade com escritores,
tais como Aníbal Machado, Nelson Rodrigues, Carlos Drummond
de Andrade, Clarice Lispector ou Rubem Braga. Aliás, é
extremamente divertida e mesmo comovente a narração
dos contatos com o último.
O relato do
cacho de cabelos dado ao nosso cronista maior e devolvido dentro
de uma jóia, pouco antes de morrer, tem sabor delicado e
travo agridoce. Mas, em geral, Tônia não está
preocupada em ajustar contas com o passado e poderia dizer, como
o escritor gaúcho Álvaro Moreira: "As amarguras...
não".
O texto escrito
a quatro mãos pela própria atriz e Luiz Arthur Nunes
(que também dirige o espetáculo) flui com espontaneidade,
dando sempre a impressão de que está sendo improvisado
no momento. Tônia interpreta-o com garra, visivelmente nervosa,
no primeiro momento, ao enfrentar a platéia (quem diria!),
logo se soltando, utilizando muito bem sua bela voz.
É interessante
notar como usa os registros graves para dar uma nota maliciosa ou,
então, para transformar-se em espectadora do que narra.
Um único
senão, fácil de corrigir: o estímulo à
participação do público, ao entrar em cena,
o que poderá lhe dar certo apoio, mas que resvala para programa
de auditório. Nunes dirige com leveza, apropriadamente, o
espetáculo, mas não deveria ter imposto à atriz
o ajoelhar-se em cena, marcação que parece gratuita.
No mais, Tônia
parece querer comprovar que o importante é o amigo "que
não decepciona" e sua confissão final é
de que todos nós sentimos a necessidade de ser amados. E
que esse amor dado pelo público anônimo e retribuído
pela intérprete justifica plenamente a quase inteira existência
devotada ao palco.
A estrela brilha
Até 6 de
fevereiro - Teatro Renaissance - Al. Santos, 2.233 - São Paulo
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