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Música - MPB
João
Voz e Violão
Canções inéditas e bem-vindas
repetições em CD fora de padrão
Aluízio
Falcão
| Foto: J.
F. Diorio/AE |
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Os grandes
artistas, na imagem do escritor Henry Miller, chegam a um ponto
em que simplesmente deixam cair seus frutos, como árvores
maduras. Assim é João Gilberto. Em seu novo CD, ele
não teve receio de repetir músicas e detonar, serenamente,
em apenas meia hora, todos os cânones vigentes no mercado.
João
Gilberto não é para principiantes. O seu trabalho
do ano 2000 contrariou expectativas de quem aguardava apenas faixas
inéditas ou arranjos opulentos. Ele foi ao estúdio
somente com a sua voz e o seu violão - o que, convenhamos,
já vale por uma legião de auxiliares. Para trocar
idéias, levou Caetano Veloso. O resultado, na contramão
dos dogmas, não poderia ser melhor.
Este é
o 15.º disco de João Gilberto Prado Pereira de Oliveira,
69 anos. Com quatro décadas na estrada, caso seguisse imposições
de gravadoras, ele já estaria no 42.º. Mas João
é, graças a Deus, fonograficamente incorreto. Isso
vem assustando observadores desprevenidos que não compreendem
a natureza de sua singularíssima personalidade.
Metade do CD
é ocupada com bem-vindas repetições e a outra
com leituras agradavelmente reveladoras. Esta é a visão
de conjunto. Há, porém, brilhantes particularidades.
Uma audaciosa situação-limite entre emissão
e sussurro na faixa "Desde que o Samba é Samba".
A redescoberta do clássico "Não Vou pra Casa"
(Antonio Almeida e Roberto Roberti), onde a frase "o samba
me criou" vale por uma entrevista sobre influências e
origens. E a divisão, jamais experimentada, no samba-canção
"Segredo". Talvez ouvida por ele do próprio autor,
seu amigo Herivelto Martins.
Principal personagem
da bossa nova, João Gilberto cria, no limiar do novo milênio,
mais um impacto na indústria cultural. Vira pelo avesso todos
os padrões do canto gravado. Mostra que a originalidade,
tanto quanto a beleza, é fundamental.
Brilhantemente incorreto
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