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Música - Standards
As Time Goes
By
Bryan Ferry incorpora a elegância do
crooner e canta clássicos americanos
Humberto
Finatti
Bryan Ferry
tem-nos brindado com boa música há tempos, desde que
era vocalista de um dos ícones do glitter rock dos anos 70
e 80, o grupo inglês Roxy Music. Paralelamente ao seu trabalho
frente aos vocais da banda, ele construiu uma respeitável
carreira individual, com alguns álbuns que beiram o sublime.
É o caso
deste As Time Goes By, onde Ferry personifica o que sempre perseguiu
fora das plumas e paetês do glitter: o cronner refinado e
elegante, cantando para o deleite da platéia de algum cabaré
enfumaçado e decadente.
Nesta nova incursão-solo,
ele se distancia do pop e do rock para mergulhar em clássicos
da canção popular norte-americana dos anos 20 e 30.
Entre as 15 faixas do álbum estão composições
de nomes como Cole Porter (as célebres "Miss Otis Regrets",
"You Do Something To Me" e "Just One Of These Things"),
Kurt Weill ("September Song") e Rodgers & Hart. É
bem verdade que ele optou por não se arriscar na desconstrução
das canções, registrando versões quase fiéis
aos originais, mas a suntuosidade das cordas e dos sopros, o piano
inebriante em "Miss Otis Regrets" e o vocal dolente, levemente
rouco de Bryan, fazem toda a diferença.
Trata-se, enfim,
de um trabalho requintado e que mostra o caminho que os astros do
pop têm seguido, quando passam dos 50 (Ferry está com
54): construir belas peças musicais, para serem degustadas
como vinhos das melhores safras.
Pérolas americanas
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