31 de janeiro de 2000
Home
Home
Semana
Diversão e Arte
Diversão e Arte
Outras Edições
Outras Edições
Fale Conosco
Assine
Assine
Assine
Assine
Assine
Assine
Busca
 

Leia também:

Televisão
O+
Astrid Fontenelle
Reis de Portugal

Cinema

A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça
Gêmeas

Mickey Olhos Azuis
Nenhum a Menos


Teatro
Amigos para Sempre
Apocalipse 1,11
Biografias musicais

Música

João Voz e Violão
Dindinha
As Time Goes By
Novas vozes do pop
Divas das pistas
Clandestino


Exposições

Ars Erótica: Sexo e Erotismo na Arte Brasileira


Livros

Dezembro de um Verão Maravilhoso
Você é um Animal, Viskovitz
Literatura musical


Internet

Atrizes francesas
Itaú Cultural


Livros - Romance

Você é um Animal, Viskovitz
Ex-biólogo russo cria um zoológico maluco em primeira ficção

Antonio Querino Neto

Se a bicharada humanizada do padrão Walt Disney sempre foi pródiga em dar lições edificantes, a do escritor Alessandro Boffa parece resumir o que os seres humanos possuem de pior. Formigas ditatoriais, tubarões sanguinários, zangões ambiciosos e vermes infames que só pensam "naquilo", povoam esse seu sarcástico mundo animal. Você é um Animal, Viskovitz (Companhia das Letras, 144 págs., R$ 20,50), primeiro livro ficcional de um autor que é ex-biólogo, russo e filho de italianos, reúne em 20 divertidíssimos capítulos diversas aventuras com um representante de cada espécie. Todos atendem pelo nome Viskovitz, um personagem que sempre perde a cabeça (às vezes, literalmente!) por uma irresistível fêmea de nome Liuba. Não é sem motivo que o livro tem sido chamado de "fábula politicamente incorreta".

Se, no primeiro capítulo, Viskovitz é um pingüinzinho que não quer nada com nada a não ser hibernar e sonhar, no segundo ele já está metamorfoseado num caramujo hermafrodita que, rompendo a tradição de sua espécie, acasala-se com ele mesmo. Esse bestiário picante inclui um leão vegetariano, um camaleão afogado nas próprias mutações e os dilemas existenciais de um micróbio em pleno momento de evolução. Na pele de um cão de Chinatown, mergulhado em filosofias orientais e viciado no famigerado "pó branco", o herói vive uma autêntica trama policial bem ao estilo noir.

Um romantismo irônico assinala todas as histórias. Ao encarnar um racionalista rato de laboratório, Viskovitz descreve assim a sua companheira Liuba: "Sedutora como uma intuição, desconcertante como uma antífrase, tímida como a verdade, boba como a poesia".

A formação de Boffa em Biologia inunda o texto com informações científicas e jargões técnicos, sempre subvertidos pelo exagero e convertidos em pura gozação. Expressões como "estação reprodutiva" e "vida heterotrófica", ditas pelos próprios bichos, dão um tom deslavadamente delirante a esse zoológico maluco que, com freqüência, faz a paródia de uma estupidez que é típica dos humanos.
Bicharada que faz rir

Boletim Assine Fale Conosco Outras edições Home Boletim Assine Fale conosco Outras edições Home