31 de janeiro de 2000
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Ramiro Zwetsch

Quatro lançamentos recentes focalizam obras de artistas consagrados da música brasileira sob óticas diferenciadas, compondo um leque de opções para quem se interessa por boa leitura. Chico Buarque (Relume Dumará, 200 págs., R$ 15), da jornalista Regina Zappa, apresenta um olhar peculiar sobre o compositor. O livro preocupa-se em desvendar como o artista se comporta no dia-a-dia, desmitificando a figura pública. Revela detalhes saborosos: imagine que, para fechar o contrato de um show, Chico exige que sua equipe de produção providencie um campo e um adversário na cidade para jogar futebol.

O professor de língua portuguesa Walter Garcia avalia a importância da batida de João Gilberto ao violão na implantação da bossa nova em Bim Bom (Paz e Terra, 222 págs., R$ 24). O autor debruça-se sobre uma análise extremamente técnica e, mesmo assim, sua linguagem flui suave e compreensível para os leigos em música - ajudando o leitor a entender por que João Gilberto é considerado tão influente na MPB.

Menos prestigiado e mais virtuoso dentro da bossa nova, Baden Powell e seu violão também ganham registro em livro. O Violão Vadio de Baden Powell (Editora 34, 384 págs., R$ 29), da pesquisadora francesa Dominique Dreyfus, descreve a história do violonista a partir de 1962 - quando tornou-se um dos músicos brasileiros mais populares na Europa. Os relacionamentos amorosos, as parcerias e o embate com a bebida são descritos com rigor jornalístico.

No galho completamente oposto da árvore genealógica da música brasileira, a banda de heavy metal Sepultura tem sua trajetória narrada em Sepultura - Toda a História (Editora 34, 210 págs., R$ 20) pelo jornalista André Barcinsky e por Silvio Gomes, técnico de som que acompanha a banda desde seu surgimento. A familiaridade dos autores com os integrantes do grupo garante revelações inéditas, sobretudo a respeito da tumultuada saída do vocalista Max Cavalera, em 1996.

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