|
Exposição - Arte
Ars Erótica:
Sexo e Erotismo na Arte Brasileira
MAM paulista mostra que o tema foi bem explorado
no último século
Paula
Alzugaray
"Ah, olhar
é uma perversão sexual." A frase de Fernando
Pessoa está próxima à entrada e funciona como
guia para a mostra Ars Erótica: Sexo e Erotismo na Arte Brasileira,
que o Grupo de Estudos em Curadoria do MAM organiza em São
Paulo. O convite é explícito: ao entrar na sala de
paredes pintadas de vermelho, o público está livre
para atuar como voyeur das pinturas, esculturas, desenhos e fotografias
expostas. As 44 obras - do acervo do MAM - revelam olhares sobre
temas como a tentação, o corpo nu, o ato sexual, o
fetiche, o travestismo, a androginia e o narcisismo no século
20.
Abrem a mostra
Eva, a "força feminina na tradição judaico-cristã",
representada pelo escultor paulista Sérgio Romagnolo, e Exu,
"a força masculina do panteão nagô-yorubá",
encarnado pelo gesto provocante de Carlinhos Brown em foto de Mario
Cravo Neto. Seguem-se desenhos - não propriamente eróticos,
mas bem sensuais - de nus femininos e masculinos. O mais antigo
deles, realizado pela modernista Anita Malfatti, data de 1917. Esses
delicados traços a lápis, que procuram reproduzir
a sensualidade de pele e músculos, cedem interesse ao realismo
intimidador produzido pelos flashes frontais do fotógrafo
Marcelo Krasilcic. "Daniela Jericoacoara" (1999) é
uma das mais atuais representações do nu artístico.
A partir da
exposição nota-se que, dentro do universo do erotismo,
a androginia foi um dos temas mais bem explorados pelos artistas
brasileiros. O modernista Ismael Nery, o mineiro Farmese de Andrade
e os contemporâneos Tunga e Edgard de Souza são bons
exemplos. A fusão dos opostos gera belas imagens que também
remetem a atos sexuais. Como a sobreposição de corpos
de um casal dançando da aquarela de Ismael Nery ou a dupla
de cadeiras de Edgard de Souza que, a partir de um encontro, se
transforma num estranho híbrido.
Convite ao voyeurismo
Até
27/2- MAM - Parque do Ibirapuera, portão 3 - São Paulo
|