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Fernanda Abreu:
radiografia do estado de
guerra civil de metrópoles
como Rio e São Paulo

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Pop
Na Paz
Fernanda Abreu adota postura zen em
CD cujo conceito supera a música

Mauro Ferreira

Centrado inicialmente numa mistura de dance com disco music, o trabalho de Fernanda Abreu ganhou identidade carioca quando a cantora investiu no samba-funk. A incursão rendeu bons discos como Da Lata (1995), mas já soou repetitiva em Entidade Urbana (2000), seu último álbum. Tanto que ela adiciona outros ingredientes em seu sexto disco solo, Na Paz. Menos percussivo e mais zen, o míssil pacifista está calcado no violão de sete cordas de seu produtor e parceiro Rodrigo Campello.

O conceito do CD supera (e muito) o som. Regravar “Eu Vou Torcer” em clima indiano foi infeliz porque a música não é das mais inspiradas de Jorge Ben Jor. É melhor quando Ben Jor participa da faixa “Zazuê”, cuja letra procura situar persona-
gens do autor, como Charles Anjo 45, no atual caos urbano. Aliás, o disco acerta ao radiografar o estado de guerra civil
que amedronta metrópoles como Rio e São Paulo. Mesmo as canções de amor, como “Bidolibido” e “2 Namorados”, estão inseridas em contexto social.

O CD esquenta na metade final, com o samba-funk “Padroeira Debochada”, “Vida de Rei” (parceria com Ivo Meirelles, cuja trajetória pacífica no morro da Mangueira inspirou a letra) e com a recriação em ambiência eletrônica de “Não Deixe o Samba Morrer”, sucesso de Alcione. No fim das contas, Fernanda se sustenta mesmo é no samba e no funk.
Entidade do caos urbano