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Sucesso
Mauricio, câmera, ação!
Pai de dez filhos com idades de 6 a 45 anos e prestes a
virar bisavô, Mauricio de Souza estréia a sua Turma da
Mônica no Cartoon Network, volta aos cinemas depois de
16 anos e conta que o personagem Horácio é seu alter-ego

• Curiosidades sobre Mauricio de Souza

Fábio Farah
foto: Claudio Gatti

“O Horácio é uma história na qual coloco muita coisa de mim.
Sou escravo dele para o resto da vida”, diz Mauricio

Primeiro Mauricio de Sousa sentiu seu corpo derretendo até desaparecer. Por um instante, pensou em saltar do prédio pela janela do sexto andar. Foi pela porta, porém, que ele saiu da sala de Orlando Mattos, diretor de arte da Folha da Manhã, quase se arrastando pela redação do jornal. O exagero ao descrever situações faz parte do universo do cartunista e, no caso acima, ilustra como Mauricio se sentiu, aos 18 anos, ao levar uma pasta de desenhos “toscos” – na esperança de uma oportunidade de trabalho –, e ouvir, em alto e bom som: “Desista disso. Vá fazer qualquer outra coisa da vida”. O pensamento foi longe: “Então não tenho futuro nisso... minha mãe está errada, meu pai está errado, meus amigos e professores estão errados...”. Até que foi interrompido pelo repórter Mário Cartaxo: “Menino, o que você tem?”. Resmungando, quase aos prantos, Mauricio lhe entregou os desenhos. Cartaxo o acalmou: “Faça uma pasta mais enfeitada e se aperfeiçoe. Enquanto isso, por que você não trabalha aqui?”. No dia seguinte, o criador da Turma da Mônica virou copydesk e, quinze dias depois, repórter policial.

Presente em sete países, a revista da Turma da Mônica
tem 34 anos e vendeu mais de um bilhão de exemplares
Naquela época, o jornalista principiante que trabalhava trajando capa e chapéu à la Dick Tracy não imaginava que, 45 anos depois, os personagens criados por ele venderiam produtos em mais de 30 países. Transformada em desenho animado, a Turma da Mônica quintuplicou o ibope da RAI (a maior emissora de tevê italiana), entre dezembro de 2003 e abril de 2004. Os personagens estrearam no Cartoon Network do Brasil, no último dia 27, e voltaram às telas do cinema, após 16 anos, com o Cine Gibi – O Filme, na sexta-feira 9 de julho, depois de terem sido atropelados nos anos 80 por uma avalanche de desenhos japoneses. A magia dos personagens encantou até o escritor Paulo Coelho, que escreveu o livro O Gênio e as Rosas, ilustrado por Mauricio de Sousa. “Foi um trabalho muito rigoroso. Mauricio entende muito de literatura infantil e me guiou ao longo de todo o processo. Sempre fui fã do seu trabalho”, diz o escritor.

Pai de dez filhos, entre seis e 45 anos, com dez netos e prestes a virar bisavô, Mauricio teve uma infância dividida entre Mogi das Cruzes (SP) e a capital paulista. A experiência com desenho começou cedo. “Antes de saber escrever eu pegava os cadernos de poesia do meu pai e rabiscava tudo. Achava que estava ilustrando”, conta ele, que fez seu primeiro gibi no oitavo ano do ensino fundamental com personagens reais: os colegas, desafetos e paqueras. Era um exemplar único que passava de mão em mão. Os primeiros personagens da Turma da Mônica nasceram anos mais tarde – no intervalo entre uma reportagem policial e outra – e, durante dez anos, abasteceram vários jornais brasileiros. A revista – nascida em 1970 e presente em sete países – vendeu mais de um bilhão de exemplares.

Horácio é o único personagem que Mauricio não passa para sua equipe. É ele mesmo quem o desenha e roteiriza há mais de 30 anos. “O Horácio é uma história na qual coloco muita coisa de mim. Sou escravo dele para o resto da vida”, explica. Confundido com Walt Disney por crianças estrangeiras, Mauricio de Sousa acha engraçado quando as mais desavisadas pedem para ele desenhar o Pato Donald. “Eu desenho, assino Walt Disney e faço o personagem dizer: ‘Gosto mais da Turma da Mônica’”, diverte-se o cartunista.
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