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Quem
não gostaria de dar uma olhada no diário de
uma adolescente liberal? Ao oferecer essa possibilidade,
Cem Esco-vadas Antes de Ir para Cama (Objetiva,
157 págs., R$ 24,90), de Melissa Panarello, tornou-se
fenômeno na Itália, onde vendeu mais de 1 milhão
de exemplares, e está sendo traduzido em 23 países,
na esteira do filão aberto pelo sucesso de outras
jovens escritoras desinibidas, como a francesa Lolita Pille
(Hell).
O despudor com que narra suas aventuras sexuais é
o principal atrativo, já que o estilo de Melissa
não é particularmente memorável. As
minuciosas descrições eróticas (que
não
chegam a ser pornográficas) escandalizaram a conservadora
sociedade italiana. E fizeram boa parte dela correr às
livrarias em busca de um exemplar. Melissa é dessas
que não dizem não, mesmo às fantasias
mais depravadas. Logo no segundo relacionamento, aos 16
anos, envolve-se com um rapaz que propõe sexo grupal.
A seguir, vêm uma lésbica e um masoquista.
Freud culparia o pai ausente.
Apesar de hoje ter 18 anos, Melissa aparenta bem menos.
E ela garante que tudo aconteceu realmente, embora fique
a impressão de que, como dizia o cineasta John Ford,
quando a lenda é mais interessante que a realidade,
escreve-se a lenda. A narrativa oscila entre a primeira
pessoa típica dos diários e a ficção
que recorre a diálogos. Em alguns momentos não
convence, como no surgimento de um príncipe encantado
que a entende. Mas, na era dos reality shows, sempre
é divertido dar uma espiada. Na cama com
Melissa
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