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Saulo: 50% dos brasileiros não
sabem que têm a doença |
Embora
a medicina avance na busca de soluções mais
eficazes para o diagnóstico e tratamento do diabetes,
o número de óbitos por complicações
cresce assustadoramente. Esse paradoxo faz-nos refletir
sobre esta doença histórica. Já foram
encontrados registros sobre o diabetes em papiros de 1500
anos a.C. No século II d.C., o grego Arateus da Capadócia
descreveu uma estranha enfermidade que denominou “diabetes”.
Arateus notou que a doença provocava boca seca, perda
de peso e urina abundante. Séculos depois, o diabetes
ainda é um problema para a humanidade.
A doença atinge 150 milhões de pessoas no
mundo e a projeção feita pela Organização
Mundial da Saúde para o ano de 2025 é de 300
milhões. O diabetes é tratado como epidemia
nos EUA e na Europa. No Brasil, 10 milhões de pessoas
têm a doença, e a incidência aumenta
em adultos e adolescentes, tendo como principal causa o
crescente aumento de peso.
Segundo o Ministério da Saúde, 50% dos brasileiros
sequer sabem que são diabéticos. A doença
aumenta 3 a 5 vezes o risco de complicações
cardiovasculares (infarto e isquemia cerebral) e é
a 1ª causa de falência renal, cegueira, amputação
e disfunção erétil, além de
diminuir a expectativa de vida em 5 a 10 anos.
O diabetes mellitus pode ser entendido como duas doenças
em uma, e como um campo fértil para a geração
de outras tantas. O diabético tipo 1 não produz
insulina e as injeções diárias são
essenciais para sua sobrevivência. O diabético
do tipo 2 (DM2) – 90% dos pacientes – produz
insulina,
mas o organismo não se mostra sensível ao
hormônio. O corpo, então, passa a produzi-lo,
cada vez mais, para compensar essa resistência, mas
como a resistência vai aumentando, pode ocorrer falência
do pâncreas. A ação
da insulina é progressivamente perdida, impedindo
a passagem do açúcar do sangue para as células.
O fígado tenta compensar e aumenta a produção
de açúcar, o que leva ao acúmulo no
sangue.
O tratamento do DM2 inclui reeducação alimentar
e exercício físico. Quanto às medicações,
existe a metformina (que age na resistência à
insulina indiretamente, e basicamente no fígado)
e as sulfonilréias (que estimulam a produção
de mais insulina). Surgiram medicamentos que atuam sobre
a resistência à insulina. O que torna a descoberta
dos sensibilizadores à insulina, ou glitazonas, um
avanço é que estas usam a insulina já
disponível no organismo, atuando diretamente nas
células do fígado, dos músculos e do
tecido adiposo. A rosiglitazona, por exemplo, permite que
a insulina facilite o acesso adequado da glicose às
células, reduzindo e evitando a toxicidade deste
excesso de “açúcares” na circulação
sobre o coração, vasos sangüíneos
e cérebro.
Ser
diabético não significa conviver com danos
irreversí-
veis. A moderação é válida para
qualquer pessoa preocupada com a saúde e você
pode se perguntar por que não se preocupou antes
com sua qualidade de vida. Siga as recomendações
do seu médico, adapte a alimentação,
exercite-se, perca o eventual excesso de peso e use a medicação
rigorosamente. Não é admissível que
uma doença tão idosa contribua para a morte
de dezenas de milhares de brasileiros anualmente, consumindo
expectativa e qualidade de vida de outros tantos.
Saulo Cavalcanti é endocrinologista
e vice-presidente da
Sociedade Brasileira de Diabetes |
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