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Ela é bailarina formada
pelo Teatro Municipal do
Rio de Janeiro, mas
abandonou as aulas por
dois salários na tevê

Revelação
Suzuki poderosa
Atriz, apresentadora, bailarina e designer, Daniele Suzuki dedica-se à tevê para quitar os R$ 30 mil que deve a uma faculdade, conta como o pai abandonou a ela e à mãe e diz que cogitou posar nua, aos 15 anos, para ajudar em casa

Carla Felícia
fotos: Leandro Pimentel

Ela desbancou Karina Bacchi e Juliana Knust num
teste e foi escolhida para apresentar o Mandou Bem,
que vai ao ar diariamente no canal pago Multishow

Juliana Knust, estrela da novela Celebridade. Karina Bacchi, disputada por três irmãos em Da Cor do Pecado. Os rostos conhecidos que Daniele Suzuki encontrou na sala de espera para um teste, há quatro meses, não eram encorajadores. Embora fizesse sucesso em Malhação com a divertida Myiuki, ela não acreditava que tivesse chances de vencer o páreo. Esnganou-se. Com um jeito descontraído e o charme dos olhos puxados, foi escolhida para comandar o Mandou Bem, programa diário que estreou em maio no canal pago Multi-
show. E assim, adicionou mais uma atividade a seu extenso e variado currículo. Além de atriz e apresentadora, Daniele, aos 26 anos, também é bailarina, formada pelo Teatro Municipal do Rio, e designer. “Ainda vou achar uma maneira de unir, num só trabalho, todas as profissões”, brinca.

Com a agenda tomada de gravações, Daniele abriu mão das aulas de balé e adiou o sonho de trabalhar desenvolvendo desenhos animados – uma paixão da infância. Mas não se arrepende de privilegiar a carreira na tevê. O motivo é financeiro. Com os dois salários que ganha, prevê que até o fim do ano conseguirá pagar os R$ 30 mil que deve, referentes às mensalidades da faculdade de Desenho Industrial, cursada na PUC do Rio em regime de crédito educativo. Já divide as despesas de casa com a mãe, a professora de balé Ivone Suzuki, com quem mora num apartamento de dois quartos alugado no Rio. E se deu ao luxo de comprar um carro. Financiado. “Agora, posso sair para um restaurante, comer bem. Estou começando a fazer uma poupança também.”

Tudo isso é motivo de orgulho para quem, um dia, precisou morar de favor na casa de amigos. Daniele não se abate ao falar do período mais difícil de sua vida, quando aos 13 anos seus pais se separaram, de maneira nada amigável. “Meu
pai (o engenheiro e ex-campeão de judô Hiroshi Suzuki) sumiu e um belo dia comunicou que o apartamento em que vivíamos estava sendo entregue”, conta ela. “Não tínhamos nem para onde carregar os móveis. Demos tudo, colocamos as roupas na mala e procuramos abrigo com amigos.” Ivone não deixou que a filha mais velha, Alessandra, voltasse de Nova York, onde estudava balé com bolsa de estudos. E Daniele acabou vivendo todas as dificuldades sozinha com a mãe. “Ela foi muito forte”, conta a mãe. “Estava pronta para pegar qualquer trabalho, de bailarina ou modelo, para me ajudar. Cogitou até posar nua, quando foi convidada. Mas
ela tinha só 15 anos.”

Aos poucos, a família foi se reconstruindo. Daniele só voltou a falar com o pai cinco anos depois, quando ele a procurou. Hoje, falam-se de vez em quando, por telefone. “Não virei adolescente rebelde porque minha mãe fez de tudo para que eu não tivesse raiva dele”, conta. “Meu pai não tem a mesma importância que a minha mãe para mim. Mas eu o amo.” O homem que hoje tem mais espaço em sua vida é o namorado, o estudante de direito Vicente Johns, com quem está há cinco meses. “Estou apaixonada. Já sei que, se não casarmos, pelo menos vamos namorar muito tempo.”

Agradecimentos: CERVEJARIA DEVASSA

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