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Ter
um pai roqueiro de uma banda de nome Camisa de Venus, nos
anos 80, foi um dos primeiros empurrões para Penélope
Nova não se intimidar com papos eróticos. Nascida
em Salvador há 30 anos e contratada pela MTV desde
1997
para o departamento artístico da emissora, virou uma
das principais VJs da casa. Desenvoltura, mais de 20 tatuagens
pelo corpo, voz rouca e forte, decotes abusados e um cabelão
heavy metal não passaram despercebidos aos olhares
dos diretores da emissora. Apresentadora do Pulso,
ao lado de Leo Madeira, um dos principais programas da casa,
Penélope se mostra como é no Ponto P,
em que responde a perguntas picantes dos telespectadores com
a naturalidade de quem fala sobre a chuva. Por trás
da personalidade forte, ela guarda um coração
de donzela que quer casar de branco e adora ganhar flores
e bombons.
Você
chama a atenção pelo seu estilo. Onde compra
suas roupas?
Em loja de patricinha. Ou você acha que vou comprar
roupa na Galeria Ouro Fino (reduto de punks, freqüentadores
de rave em São Paulo)? Se me vestisse como cybermano,
ia parecer uma coisa que não sou. Ia parecer uma garotinha
da noite, e não sou. Pertenço a um grupo pequeno.
Só ando com meus amigos de verdade, meus cachorros
e meus gatos. Na época em que fazia parte do submundo
era de verdade. Não significava ter status ser uma
pessoa da noite. Ninguém lia The Face ou ID! Ia na
Senhora Kravitz (boate dos anos 80, em São Paulo)
nadar de roupa na piscina e depois tomar choque! A gente era
o que era para se divertir, não para os outros nos
chamarem de modernos.
Nunca se preocupou se seu estilo lhe atrapalharia a conseguir
emprego?
Eu sabia que eu não ia ser médica, advogada.
Sabia que ia trabalhar numa coisa que me permitisse ser o
que sou. Na MTV posso me vestir do jeito que gosto, para eles
é OK que eu seja assim. Durante muito tempo não
podia acreditar que alguém se ofendesse com o meu estilo!
Sofri quando percebi que pessoas me torciam o nariz por causa
das minhas tatuagens e do meu cabelo rosa, que usei na adolescência.
Já
brigou por causa disso?
Claro! Eu trabalhava numa loja de roupas do Shopping Iguatemi
(o mais luxuoso de São Paulo) e os seguranças
viviam rindo das coisas que eu fazia. Nas primeiras vezes
que pessoas, principalmente mulheres, fizeram cara feia para
minhas roupas, minhas tatuagens, fiquei muito chateada. Me
magoou, me deixou assustada. Nunca fui de um jeito para chocar
os outros. Mas não demorou para eu aprender uma tática
ótima. Comecei a latir para as pessoas.
Como
assim, latir para as pessoas?
Latir, ué. Uma vez três madames passaram e começaram
a cochichar, me apontando. Minha mãe me ensinou a não
apontar para as pessoas. Cresci sabendo que isso era uma enorme
falta de educação. Isso me agrediu. E me senti
tão agredida que não quis ficar com aquela raiva
dentro de mim. Ainda mais que eu não tinha feito nada!
Então fiz “au au au” e “grrrr”
bem alto, bem feroz, pra cima delas. Elas se assustaram, saíram
andando rápido, acho que pensaram que eu ia bater nelas.
Foi ótimo, gargalhei muito. E os seguranças
morreram de rir. Hoje sou muito resolvida.
Sempre
foi resolvida com seu corpo?
Não. Com 14 anos queria diminuir meus seios. Fui a
primeira a usar sutiã entre as amigas. Na época
não era tido como uma coisa legal. Com 15 conheci meu
primeiro namorado, que falou: “Se você tirar os
peitos termino com você”. (risos) Então
percebi que ter peito era bacana! Tanto passei a achar bacana
que aos 18 eu já abusava dos decotes e até fiz
uma tatuagem no meio dos seios.
Quando
fez a primeira tatuagem?
Meu pai, que não tem nenhuma tatuagem, só me
autorizou a fazer com 18 anos. Eu já queria há
tempos. No dia do meu aniversário, cheguei em casa
ao meio-dia já tatuada. Fiz um olho de Horus, que é
um deus egípcio. Nem comentei com meu pai, passei reto.
Ele viu depois, mas não falou nada. Seis meses depois
já estava voltando ao tatuador para fazer mais desenhos.
Tatuagem é assim, se você tem certeza de que
quer aquilo, não se arrepende. E quem fica enrolando
é porque não quer realmente, então é
melhor deixar para lá, porque não é a
sua verdade.
É
preocupada com a verdade?
A verdade é a melhor coisa que posso oferecer. Como
falo muitas verdades, preciso ser cuidadosa, nem sempre as
pessoas estão preparadas. Fui descobrindo que nem sempre
o que te é apresentado como verdade, realmente o é.
Aos 7 anos, sem influência de ninguém, decidi
ser católica. Via minha avó rezar, me interessei
pelo credo, fui ler a Bíblia. Pedi ao meu pai para
fazer a primeira comunhão e fiz, quando morava em Salvador.
Ele nunca tinha comungado. Aos 12 entendi o que a Igreja tinha
feito na época da inquisição e rompi
com ela. Mas carrego ensinamentos cristãos, como amar
ao próximo como a ti mesmo.
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