Em
Monster – Desejo Assassino, de Patty Jenkins,
todos os holofotes estão voltados para Charlize Theron,
a atriz sul-africana que fez carreira e fama em Hollywood.
Ela não apenas interpreta Aileen Wuornos, a prostituta
americana condenada à morte em 1999 por assassinar
friamente sete de seus clientes. Ela praticamente se transforma
na personagem, executada por meio de injeção
letal em 2002, na Flórida. A personificação
é impressionante, tanto que Charlize dividiu o prêmio
de melhor atriz no Festival de Berlim e ficou sozinha com
o Oscar da mesma categoria.
Há que se reconhecer a qualidade do trabalho da atriz,
que emula feições, vícios e tensões
da verdadeira Aileen, tendo como único recurso extra
uma prótese dentária para esconder os seus
branquíssimos e alinhados dentes de porcelana atrás
de uma fileira mal arrumada de dentes falsos, manchados
e cariados. Há que se reconhecer também a
participação de Christina Ricci, no papel
de Selby Wall, uma menina de 18 anos que foi mandada para
a casa dos tios na Flórida a fim de se “curar”
do lesbianismo e acabou conhecendo a prostituta por acaso
em um bar gay.
Mas nenhuma das duas performances, nem as duas juntas, isentam
o filme do que tem de pior, um desprezo pela natureza humana
como nunca se viu. Pode-se argumentar que se trata de uma
história baseada em fatos reais, que as coisas se
passaram da maneira como está na tela e tudo o mais.
De qualquer modo, existe nessas imagens um retrato que compreende
mais do que uma assassina em série. E não
é
nada bonito. A feiúra humana
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