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Wellington Cerqueira
Mulheres enófilas A decoradora Rute Stedile e a empresária Vera Mauro criaram a primeira confraria de mulheres amantes de vinho
10 mandamentos
do VINHO

• Segure na haste
da taça para não
mudar a temperatura
e os aromas

• Nunca beba vinho só. Forme grupos afins

• O bom vinho custa
de R$ 20 a R$ 100. Beba os dos cinco continentes

• Vinhos do novo mundo são uma tendência

• Liberte a qualidade dos vinhos antes de degustá-los em taças apropriadas

• Harmonize vinho e comida. Não beba, deguste

• Cordeiro e pato combinam com Cabernet Sauvignon
e Shiraz

• Consuma ostras
com vinhos Chablis
(uva Chardonnay)

• Sopas vão bem com Jerez ou água

• Champanhe com-
bina com brioche, caviar e salmão

Fonte: Renato Frascino

 

Gastronomia
O programa é degustar
Degustação de vinhos virou uma glamourosa diversão noturna em São Paulo, como as aulas-jantar de harmonização no Leopolldo Plaza

Gisele Vitória

 
Wellington Cerqueira
Os anfitriões Renato Frascino, Eliane Bonilha e Giancarlo Bolla: idéia de sucesso
O ambiente luxuoso do Leopolldo Plaza, em São Paulo, pedia formalidade. Ali, sob lustres de cristais de pedra e entre réplicas do pintor Eckout na deco-
ração de Jorge Elias, era o cenário de uma aula-jantar. Enófilos, empre-sários e executivos acomodavam-se para degustar vinhos e apreciar pratos do chef Daniel Valey, sob a supervisão do restauranteur Giancarlo Bolla. Tudo preparado para que a seleta platéia tomasse lições de mais uma edição da Sinfonia dos Cinco Sentidos, harmonização de vinhos orquestrada pelo consultor enogastronômico Renato Frascino. O evento mensal é exemplo de como degustar vinhos tornou-se glamouroso programa noturno em São Paulo. Para quebrar a pompa, a circunstância exigia um professor irreverente, que relaxasse tantos aprendizes. Sim, porque, por mais curiosos, viajados, ricos e veteranos fossem os apreciadores, todos estavam lá para aprender. Um clima de programa de auditório criado por Frascino, ex-diretor do Banco Santander e fundador do Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças), dá à aula-jantar um sabor surpresa. “Roberto Lima, da onde vem a uva sangiovese?”, dispara, esticando o microfone para o presidente da Credicard, na edição dedicada à Itália.


Wellington Cerqueira
Platéia Roberto Lima, presidente da Credicard (acima), com a mulher, Angélica: descobertas sobre as uvas italianas

A resposta de Lima, amigo de Frascino na esfera financeira, foi curta e sincera: “Não tenho a menor idéia”. Com a mulher, Angélica Armentano Lima, saboreou uma noite agradável e aprendeu que tal uva vem da Toscana. “Sempre apreciei, descobri este prazer em viagens. Eu e minha mulher bebemos vinho em casa, mas depois desse jantar me estimulei a estudar”, diz, após degustar um Barbera D’Asti Costamiole 1997, do Piemonte (Itália). “Gosto dos vinhos do Piemonte, mas nunca tinha me detalhado a olhar o mapa e a saber mais sobre a uva da região.” Fernando Moura, presidente do Banco Alfa, aplaudiu igualmente o programa. “Antes recebíamos em casa com uísque, agora a preocupação é escolher o vinho para servir, que nem sempre é o mais caro”, diz. Moura conta que há três anos recebeu para um jantar em São Paulo o presidente da lendária Romanée Conti. Todos apostaram que o fabuloso vinho que o executivo trouxera de sua vinícola particular custava uma fortuna e se surpreenderam ao saber que ia pouco além de US$ 10.

Wellington Cerqueira
Jan Jarne, cônsul da Finlândia e consultor financeiro, e a mulher, Silvia: histórias de infância
Na edição dedicada à Espanha,
a designer de interiores Rute
Stedile e a empresária Vera Mauro comandaram a animada mesa
da 1ª Confraria de Mulheres Enófilas. Há dois anos e meio, as amigas decidiram aprender sobre vinhos e formaram uma confraria beneficente, que já arrecadou
R$ 18 mil num jantar. Com 25 associadas, preparam nova degustação em 22 de junho no hotel Sofitel, em São Paulo. No jantar no Leopolldo, elas apreciaram o Moscatel Dulce 2002 Julian Chivite com biscuit creme catalan na sobremesa. “É uma brincadeira instrutiva”, diz Vera Mauro. A idéia é essa. “Curso de vinho é maçante, este programa é diferente. O conteúdo vem com diversão”, diz Frascino, provador de vinhos desde 1977.

O evento estreou com a França. Depois, Portugal. A R$ 120 por pessoa, são apreciados menus esplêndidos do país-tema, vinhos de primeira linha, além da palestra de duas horas ilustrada por telões e músicas típicas. “Todos os detalhes foram estudados para fornecer mais conhecimento e sensibilidade às pessoas”, diz Eliane Bonilha, sócia de Frascino. Na edição da Itália, Giancarlo Bolla comemorava
seu salão lotado. “Reunimos 150 pessoas”, exultava ele,
que teve o mesmo sucesso de público na edição espa-
nhola. “Achei ótima a idéia de combinar os cinco sentidos com a degustação de vinhos e pratos típicos”, brindavam
o cônsul da Finlândia, Jan Jarne, e sua mulher Silvia,
com Manzanilla La Gitana Hidalgo, o melhor Jerez do tipo Manzanilla. Apreciador há 30 anos, o cônsul finlandês fez
um curso com Frascino, e conta que o prazer de beber
vinho vem de família. Seus pais, que vieram para o Brasil
nos anos 50 quando ele tinha três anos, tomavam vinho todos os dias no jantar. “Eu e minha irmã, com 10 e 12 anos, acompanhávamos diluindo vinho em água”, diverte-se. “Era parte da nossa cultura. E na época não tinha oferta. Nosso vin de table era o nacional Granja União Merlot.” Hoje Jan bebe uma taça de vinho por dia e prefere os do novo mundo, tema do próxima harmonização no Leopolldo.

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