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Celebridade
por Dirceu Alves Jr.  
   
 
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Renato Velasco

Em 1972, Caetano Veloso desembarcou no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, depois de passar dois anos e meio exilado em Londres. Hoje, aos 61 anos, o cantor e compositor interpreta clássicos da música norte-americana no CD e show A Foreign Sound, que, depois de estrear em São Paulo, viaja
pelas principais capi-
tais brasileiras

Caetano Veloso

Na manhã de 11 de janeiro de 1972, Caetano Veloso desembarcou no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio, disposto a não arredar mais pé do Brasil. Na enxuta bagagem, carregava as lições de dois anos e meio de um exílio forçado em Londres e uma maturidade adquirida a fórceps. Caetano deixava para trás não apenas as baixas temperaturas do inverno europeu e a dor de viver longe de sua terra, mas também um atrevimento juvenil que parecia ameaçador aos olhos da ditadura militar.

Três dias depois da chegada, o cantor já trazia a pele bronzeada pelo sol de Ipanema e matava a saudade do público no Teatro João Caetano. Abraçado ao violão, ele interpretava Chico Buarque e Dorival Caymmi em meio a trechos do álbum Transa. Quem esperava o tropicalista atrevido, viu-se diante de um artista tranqüilo que evitou discursos políticos para reencontrar a ousadia mais tarde. “Quero só cantar para as pessoas verem que continuo trabalhando. Não existe esperança de organizar as pessoas em torno de um ideal comum”, disse ele, logo depois do exílio.

Hoje, aos 61 anos, Caetano Veloso é um senhor grisalho e de cabelos aparados que, à primeira vista, em nada lembra aquele representante da geração hippie. Em seu novo CD e show, A Foreign Sound, Caetano volta a buscar em composições alheias, no caso, de autores norte-americanos, a possibilidade de criticar um sistema dominante. Em um repertório que mistura Assis Valente, Noel Rosa com Nirvana e Cole Porter, Caetano faz a ponte entre o Brasil e o mundo que ele começou a conhecer no exílio.