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Pílulas

» As crianças precisam ter atividades físicas regulares, por pelo menos 30 minutos por dia (caminhar, andar de bicicleta, jogar bola, correr, nadar).

» É necessário fazer todas as refeições (café da manhã, lanche, almoço, lanche, jantar e ceia) e ingerir os alimentos adequados para cada uma delas.

» As crianças não devem substituir água, sucos naturais e o leite por refrigerantes ou sucos artificiais. É importante comer frutas, verduras e legumes diariamente, em especial os da estação.

» Não se deve comer em frente à tevê, as refeições devem ser feitas à mesa, com tranqüilidade.

» Promover uma mudança no estilo de vida das crianças é a melhor maneira de combater o avanço da obesidade infantil.

Campanha contra a obesidade infantil
No Brasil a obesidade em crianças cresceu
de 3% para 15% em pouco mais de 20 anos.
O projeto Escola Saudável tem como meta
brecar essa tendência

Luiz Cláudio Castro

 
Felipe Barra
Castro: a alimentação
mudou para pior
Apesar de a desnutrição ainda ser uma triste realidade no Brasil, os números da obesidade assustam: 70 milhões de brasileiros, ou 40% da população, estão acima do peso adequado. Levantamento feito em território nacional em 1975 e 1997 mostra que a obesidade aumentou de 8% para 13% em mulheres, de 3% para 7% em homens e de 3% para 15% em crianças. E segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), a prevalência de obesidade infanto-juvenil no Brasil subiu 240% em 20 anos. Esse dado assustador se deve às mudanças no estilo de vida da nossa popu-
lação: pouca atividade física e hábitos alimentares inadequados.

Além do sedentarismo que atinge nossas crianças, os alimentos tradicionais da cultura brasileira (arroz, feijão, carne, saladas, legumes e frutas) foram substituídos por dietas importadas de alto valor calórico, nem sempre acompanhadas de adequado valor nutricional. No lugar da água, do suco natural e do leite, as pessoas tomam refrigerantes e as refeições foram substituídas por fast-food. Para piorar, as porções aumentaram exageradamente. Antigamente, no cinema, cada pessoa comia um saquinho de pipoca. Hoje, a pipoca é vendida em baldes enormes e individuais e um copo de refrigerante tem de 500ml a 700ml para cada pessoa. Nos lanches intermediários, ao invés de frutas ou sanduíches leves, as pessoas se alimentam de salgadinhos industrializados, salgados fritos, biscoitos recheados e refrigerantes.

Vale destacar que os erros alimentares ocorrem em todas as classes sociais. As mais privilegiadas, por terem acesso fácil a fast-foods e a cantinas escolares que vendem salgados fritos, sanduíches altamente calóricos, doces e refrigerantes. As menos favorecidas, porque os alimentos energéticos e calóricos (carboidratos e gorduras, como pão, arroz, macarrão, óleo) são mais baratos que os alimentos reguladores (frutas, verduras e legumes) e os construtores (leite, carne e ovos).

A solução para esse grave problema de saúde pública, não só aqui no Brasil, é promover mudanças no estilo de vida da população. Dias atrás a Organização Mundial de Saúde votou uma Estratégia Global para Estimular a Alimentação Saudável e Atividade Física em todo o mundo.

Certos de que esse é o melhor caminho, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO) e o Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição, da Universidade de Brasília, firmaram uma parceria: foi lançado sexta-feira, 28, em Brasília, o projeto Escola Saudável. Nosso objetivo é investir no conhecimento teórico e prático nas escolas de ensino fundamental de todo o País explicando sobre as práticas alimentares saudáveis e no estímulo à atividade física. Além disso queremos criar uma consciência crítica nas crianças e adolescentes para bloquearmos o avanço da obesidade em nossa população.

Dr. Luiz Cláudio Castro é endocrinologista pediatra
em Brasília e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM

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