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Castro: a alimentação
mudou para pior |
Apesar
de a desnutrição ainda ser uma triste realidade
no Brasil, os números da obesidade assustam: 70 milhões
de brasileiros, ou 40% da população, estão
acima do peso adequado. Levantamento feito em território
nacional em 1975 e 1997 mostra que a obesidade aumentou de
8% para 13% em mulheres, de 3% para 7% em homens e de 3% para
15% em crianças. E segundo a Organização
Pan-Americana de Saúde (OPAS), a prevalência
de obesidade infanto-juvenil no Brasil subiu 240% em 20 anos.
Esse dado assustador se deve às mudanças no
estilo de vida da nossa popu-
lação: pouca atividade física e hábitos
alimentares inadequados.
Além
do sedentarismo que atinge nossas crianças, os alimentos
tradicionais da cultura brasileira (arroz, feijão,
carne, saladas, legumes e frutas) foram substituídos
por dietas importadas de alto valor calórico, nem
sempre acompanhadas de adequado valor nutricional. No lugar
da água, do suco natural e do leite, as pessoas tomam
refrigerantes e as refeições foram substituídas
por fast-food. Para piorar, as porções aumentaram
exageradamente. Antigamente, no cinema, cada pessoa comia
um saquinho de pipoca. Hoje, a pipoca é vendida em
baldes enormes e individuais e um copo de refrigerante tem
de 500ml a 700ml para cada pessoa. Nos lanches intermediários,
ao invés de frutas ou sanduíches leves, as
pessoas se alimentam de salgadinhos industrializados, salgados
fritos, biscoitos recheados e refrigerantes.
Vale destacar que os erros alimentares ocorrem em todas
as classes sociais. As mais privilegiadas, por terem acesso
fácil a fast-foods e a cantinas escolares que vendem
salgados fritos, sanduíches altamente calóricos,
doces e refrigerantes. As menos favorecidas, porque os alimentos
energéticos e calóricos (carboidratos e gorduras,
como pão, arroz, macarrão, óleo) são
mais baratos que os alimentos reguladores (frutas, verduras
e legumes) e os construtores (leite, carne e ovos).
A
solução para esse grave problema de saúde
pública, não só aqui no Brasil, é
promover mudanças no estilo de vida da população.
Dias atrás a Organização Mundial de
Saúde votou uma Estratégia Global para Estimular
a Alimentação Saudável e Atividade
Física em todo o mundo.
Certos
de que esse é o melhor caminho, a Sociedade Brasileira
de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira
de Pediatria (SBP), a Associação Brasileira
para o Estudo da Obesidade (ABESO) e o Observatório
de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição,
da Universidade de Brasília, firmaram uma parceria:
foi lançado sexta-feira, 28, em Brasília,
o projeto Escola Saudável. Nosso objetivo é
investir no conhecimento teórico e prático
nas escolas de ensino fundamental de todo o País
explicando sobre as práticas alimentares saudáveis
e no estímulo à atividade física. Além
disso queremos criar uma consciência crítica
nas crianças e adolescentes para bloquearmos o avanço
da obesidade em nossa população.
Dr.
Luiz Cláudio Castro é endocrinologista pediatra
em Brasília e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia
e Metabologia – SBEM |
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