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Celebridade
por Dirceu Alves Jr.  
   
 
Antonio Guerreiro

Em 1978 (no alto), Marília Pêra encenou pela segunda vez a peça Apareceu a Margarida, de Roberto Athayde, em que provocava a censura com uma camiseta da Seleção Brasileira e
uma máscara do ex-presidente Médici. Hoje, a atriz volta aos palcos de São Paulo como a estilista francesa
Coco Chanel

Marília Pêra

Na primeira leitura da peça Apareceu a Margarida, de Roberto Athayde, Marília Pêra, apesar do entusiasmo de se ver diante de uma grande personagem, não disfarçou o temor. “Se eu montar esse texto, vou ser presa”, disse ela. O receio era justificável. Em 1973, a ditadura atravessava uma de suas fases mais duras e levar ao palco a história da professora megera que exaltava tanto a direita que fazia uma crítica às avessas aos militares era confusão certa. “A censura liberou, mas volta e meia lacrava a bilheteria. Fazia duas semanas e parava duas”, lembra a atriz, que interrompeu a temporada prematuramente por um problema de saúde.

A professora Margarida, porém, insistiu em fazer parte da
vida de Marília. Em 1978, com o País já respirando um pouco mais de liberdade, Apareceu a Margarida voltou à cena. Desafiadora, Marília usava uma camiseta da Seleção Brasileira e uma máscara do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici. Apesar da abertura política que se anunciava, em cada cidade era feita uma sessão da peça para os censores locais, que vetavam trechos do texto ou marcações. “E isso tornou a excursão muito mais cansativa”, lembra a atriz, que ainda reeditaria a peça em 1994.

No sábado 29, Marília, 61, volta aos palcos de São Paulo em Mademoiselle Chanel. A atriz, que já foi Carmen Miranda, Dalva de Oliveira e Maria Callas, prepara-se para incorporar a estilista francesa Coco Chanel no teatro com a maestria de sempre. Viver uma personagem verídica não deve assustá-la. Afinal, Marília já enfrentou fantasmas bem mais assombrosos em tempos passados.