| Marília
Pêra
Na
primeira leitura da peça Apareceu a Margarida,
de Roberto Athayde, Marília Pêra, apesar do
entusiasmo de se ver diante de uma grande personagem, não
disfarçou o temor. “Se eu montar esse texto,
vou ser presa”, disse ela. O receio era justificável.
Em 1973, a ditadura atravessava uma de suas fases mais duras
e levar ao palco a história da professora megera
que exaltava tanto a direita que fazia uma crítica
às avessas aos militares era confusão certa.
“A censura liberou, mas volta e meia lacrava a bilheteria.
Fazia duas semanas e parava duas”, lembra a atriz,
que interrompeu a temporada prematuramente por um problema
de saúde.
A professora Margarida, porém, insistiu em fazer
parte da
vida de Marília. Em 1978, com o País já
respirando um pouco mais de liberdade, Apareceu a Margarida
voltou à cena. Desafiadora, Marília usava
uma camiseta da Seleção Brasileira e uma máscara
do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici.
Apesar da abertura política que se anunciava, em
cada cidade era feita uma sessão da peça para
os censores locais, que vetavam trechos do texto ou marcações.
“E isso tornou a excursão muito mais cansativa”,
lembra a atriz, que ainda reeditaria a peça em 1994.
No sábado 29, Marília, 61, volta aos palcos
de São Paulo em Mademoiselle Chanel. A atriz,
que já foi Carmen Miranda, Dalva de Oliveira e Maria
Callas, prepara-se para incorporar a estilista francesa
Coco Chanel no teatro com a maestria de sempre. Viver uma
personagem verídica não deve assustá-la.
Afinal, Marília já enfrentou fantasmas bem
mais assombrosos em tempos passados.
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