Veja também outros sites:
 
   
Entrevista
   
Fotos: Piti Reali
“Numa festa em São Paulo, o celular tocou: ‘Alicinha, é o Thiago, queria ir na festa’.
Pô, mas que Thiago? Tinha 10 páginas de Thiago na lista. Era o Thiago Lacerda”
CONTINUAÇÃO
Quando foi a sua primeira festa?
Considera-se
uma celebridade?
  

Alicinha Cavalcanti
‘‘Nunca namoro famosos’’
A promoter mais famosa do Brasil evita
romances com celebridades para não interferir
no trabalho, prefere ver filmes a ir a festas e quase morreu numa gravidez tubária

Jonas Furtado

 

Ela é uma das maiores autoridades do País quando o assunto é festa. Em seu invejado mailing, constam os nomes de mais de 17 mil pessoas (“todos anotados com o próprio punho”, segundo ela), entre celebridades, atores, empresários e anônimos endinheirados. Hoje, ter a promoter Alicinha Cavalcanti organizando um evento é um passo bem dado rumo ao sucesso. Ela garante que não se diverte enquanto trabalha. “Não bebo, dou uma de garçonete e porteira. Sou campeã de mandar gente embora”, afirma. Carioca residente em São Paulo, flamenguista fanática, lutadora de jiu-jítsu e dona de uma possante moto de 750 cilindradas, Alicinha carrega no corpo as marcas de seu gosto por fortes emoções: quatro pinos no joelho, onze parafusos e uma placa na perna – todos resultados de acidentes de moto e jogos de futebol.

Quando foi a sua primeira festa?
Fiz um aniversário de 20 anos no Gallery, em 1983. O José Victor Oliva, que eu chamo de meu padrinho de profissão,
me deu a casa e falou: “Você traz a bebida e eu te dou o serviço todo”. Naquela época não tinha importadora, e eu
saí arrecadando uísque de contrabando na casa de um monte de amigos – aí o José Victor falou que lá só entrava bebida com nota. Fui então no supermercado e comprei aqueles Passport verdes, de garrafa quadrada. Naquela época era praticamente um crime servir bebida nacional. E teve de tudo, senador, deputado, atriz, atores, gente da noite, gente bonita. José Victor se surpreendeu: “Você conhece todo mundo que esteve aqui essa noite?”.

O que pode fazer uma pessoa ser excluída de sua lista?
Observo meus convidados. Tem algumas pessoas que eu deleto, sim. São aquelas que com pouco ou muito teor alcoólico ficam indigestas, inconvenientes, pegajosas, perturbam as outras pessoas que não conhecem. Tem umas que deixo ali na quarentena para ver se melhoram.

Como convencer uma celebridade a ir a uma festa?
Quando o evento envolve um patrocinador e pessoas que ganham muito dinheiro com publicidade, precisa de uma negociação. Mas o Rodrigo Santoro, por exemplo, se tiver um show legal, ele pode aparecer de repente, sem estar previsto. Outro dia estava na porta de uma festa em São Paulo, meu celular tocou. “Alicinha, é o Thiago, eu queria ir na festa”. Pô, mas que Thiago? Tinha dez páginas de Thiago aqui na lista. Era o Thiago Lacerda. Ele soube que eu tava dando uma festa naquele dia e resolveu ir, do nada.

E quem é hoje a pessoa que todo mundo quer ter no evento?
Os que todo mundo quer e nunca vão são o Jô Soares e o Chico Buarque. Eu fico com vergonha de mandar convites para o Chico Buarque, mando para o empresário dele.

Quando sai de férias, vai a festas?
Vou pouco a festas, porque faço tantas... Prefiro aniversários, alguns shows, peças de teatro. Acho a locadora de vídeos uma programação excelente, adoro pipoca e sofá. Quando eu vou em outras festas, sem querer já estou meio ajudando. Se estou como convidada, com champanhe na mão, fico vendo se o banheiro precisa de limpeza, se alguém ficou para fora.

Algum outro hobby, além de assistir a filmes?
Gosto muito de poesia. Sou capaz de declamar James Joyce, sei quase tudo de Fernando Pessoa, de Clarice Lispector. Às vezes organizo umas reuniões, mas não é aquele sarau organizadinho. Juntamos pessoas, ouvimos boa música, declamamos poesias... Tenho muita coisa escrita.

Mostra para alguém?
Mostro para algumas pessoas, como a Marília Gabriela. Algumas coisas ela acha bonitinhas, outras meio bobas. Depende do meu momento, tenho algumas coisas românticas demais, outras tristes demais, outras mais realistas do tipo “não me venha com vinagre que a salada aqui é de frutas”.

Você dá uma de cupido para as celebridades?
Não só em festas. Fui eu quem apresentei a Luiza Thomé
para o marido dela. O Adriano (Facchini) fazia aula de pilotagem de helicóptero comigo. Monitorei o namoro, hoje
sou madrinha do Bruno, o primeiro filho deles. Quando eles estavam se conhecendo, certa vez, Adriano ficou de ligar
às nove da noite para saírem. Deu dez, deu onze, e nada. Quando eram quinze para uma da manhã, ele ligou. Não deixei ela atender. Ficamos na casa dela assistindo filmes, mas convenci a Luiza a ligar para ele só depois do meio-dia e
dizer que tinha ido a uma festa maravilhosa e esquecera o celular. A gente ri muito dessa história.
 

1 | 2


Comente esta matéria