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Sucesso - Roberta Marquez
A nova rainha do balé
A bailarina carioca alcança um status internacional só
atingido no Brasil por Márcia Haydée, ex-diretora do
Balé Nacional de Stuttgart e parceira de Rudolf Nureyev

Nina Arcoverde Mansur

 
André Durão
“Ela não tinha noção do quanto era boa, melhor até que bailarinas
de nível internacional’’, diz André Valadão, marido e também bailarino

Com 1,56 metro e 43 quilos, Roberta Marquez fala baixinho e tem os movimentos contidos. A imagem de menina, porém, termina aí. Convidada para ser uma das oito primeiras-bailarinas do Royal Ballet de Londres, um dos mais respeitados do mundo, a carioca de
26 anos acaba de alcançar um status internacional só atingido no Brasil por Márcia
Haydée, 68, ex-diretora do Balé Nacional de Stuttgart e parceira constante de Rudolf Nureyev. “Isso mostra que no Brasil podemos formar bons profissionais”, diz a bailarina,
que embarca para Londres em agosto.

O namoro de Roberta com a companhia inglesa começou em janeiro de 2003. Depois de recomendações da coreógrafa russa Natalia Makarova, com quem havia trabalhado dois anos antes em La Bayadère, no Rio, a bailarina iniciou uma série de cinco trabalhos como convidada da companhia. Em abril deste ano, foi chamada à sala da diretora, Monica Mason, após dançar A Bela Adormecida. “Ela perguntou o que eu acharia de me tornar primeira-bailarina do Royal.”

Fechado com o auxílio da empresária e ex-diretora do Teatro Municipal, Dalal Achcar, o contrato com o balé londrino coroa uma trajetória de vitórias. Em 2001, Roberta ganhou medalha de prata no Moscow International Dance Competition, na Rússia. Durante 15 dias, ela e o brasileiro Thiago Soares (vencedor do ouro) chegaram a apresentar suas coreografias aos jurados de madrugada e superaram 200 bailarinos. “No final, ficamos no hotel esperando a classificação até quase de manhã”, recorda.

A ligação com o balé a fez casar em pleno palco do Municipal do Rio, em 2002, fato iné-
dito até aquela data. “Pedi autorização e tudo. Foi lindo!”, diz ela, admitindo que se desmotivou com a profissão há cerca de cinco anos, quando pensou em levá-la como hobby. Quem não a deixou desistir foi o marido, o também bailarino André Valadão, 32, na época iniciando o namoro com a mulher. “Ela não tinha noção do quanto era boa, melhor até que bailarinas de nível internacional”, conta.

Convencida, Roberta retomou a carreira que era seu sonho desde os 5 anos, quando, levada pela mãe, começou a dançar numa academia próxima à sua casa. “Queria ser bailarina do Municipal”, diz. Ocupou o sonhado posto por 10 anos, os três últimos como primeira-bailarina, e agora se prepara para ganhar bem mais que o salário de R$ 2 mil recebido no Brasil. “Não vou falar quanto é, mas não tem comparação. É muito mais”, afirma, empolgada.
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