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Leandro Pimentel
Guilherme, cinéfilo e leitor voraz desde os 9 anos: “A força do ódio das pessoas é a certeza do meu sucesso”, diz
“No início, senti a
carga pesada. Escutei gente dizendo que tinha nojo de olhar na minha cara e que, se pudesse, me mataria’’
 

Carreira
Para ser um vilão Zen
Guilherme Weber brilha como vilão da novela
das sete, é execrado nas ruas e procurou
templo zen-budista para transformar a raiva
do público em estímulo

Nina Arcoverde Mansur

 

Uma relíquia de família despertou no pequeno Guilherme, aos 9 anos, fascinação pelo cinema. Um álbum de autógrafos e fotos de Frank Sinatra, Judy Garland e Betty Davies, entre outros astros de Hollywood, feito pela mãe quando viveu em Los Angeles, aflorou o apetite para as telas. Vinte anos depois, o cinéfilo Guilherme Weber construiu uma carreira mais marcada pelo teatro do que pela sétima arte. E agora, na pele do vilão Tony, de Da Cor do Pecado, este curitibano colhe elogios em sua estréia na tevê.

Antes de começar a brilhar na novela das sete, Guilherme sofreu ao mergulhar no papel. Ao ler os scripts, não escapava de fortes dores de estômago por conta das maldades que teria de fazer contra Bárbara, personagem de Giovanna Antonelli. E teve de suportar o repúdio do público. “No início, senti uma carga muito pesada. Escutei gente dizendo que tinha nojo de olhar na minha cara e que, se pudesse, me retalharia, me mataria”, conta ele. Foi então procurar um templo zen-budista no Rio. “Agora, uso a energia de repúdio como estímulo. A força do ódio das pessoas é a certeza do meu sucesso”, diz. Crescido em família católica, abraçou o budismo em 1993.

Fundador da Sutil Companhia de Teatro ao lado do diretor Felipe Hirsch, em 1992, o ator tem 15 anos de uma sólida carreira nos palcos. Participou, entre outras, das montagens de A Morte do Caixeiro-Viajante (2003) e A Vida É Cheia de Som e Fúria (2000), o maior sucesso da companhia. Sua trajetória começou aos 14 anos, quando Guilherme fazia parte do Caixa, um grupo de teatro amador do Paraná. Por quatro anos, viajou apresentando peças pelo Brasil. “Era o mascote do grupo, de adultos, e chegava a enforcar aula quando as viagens aconteciam durante a semana”, lembra ele, que só levou adiante a profissão pela complacência da mãe, a assistente social Edna. “Ela ia nos bares onde o pessoal se reunia para ver se não era barra pesada”, recorda Guilherme, que é solteiro e mora sozinho no Rio.

A vida no teatro sempre foi um desafio. Ele patrocinou Baal Babilônia, a primeira de expressão da parceria com Hirsch, com US$ 300 seus – e US$ 300 do diretor – e chegou a passar cheque sem fundos para pagar passagens para uma equipe de nove pessoas até João Pessoa (PB), onde tinha convite para encenar Fausto, em 1996. “Fazer teatro no Brasil é o mesmo que jogar críquete na praia”, diz. Hirsch concorda com a posição do sócio e amigo e elogia: “Guilherme se adaptou muito rápido à televisão, o que é difícil, e já brinca com o humor e os arquétipos”, comenta. Nada difícil para alguém que, aos nove anos, divertia-se com filmes dos anos 30, 40 e 50 e com a leitura de biografias de santos, como as de São Judas Tadeu, Santo Expedito e Santa Rita de Cássia. “Já era o meu lado teatral. Como ser santo seria difícil, virei ator.”

Agradecimentos: FNAC Rio de Janeiro

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