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Murillo Constantino
Com 1,80 metro de altura, Vanessa trocou as passarelas pelo palco: “Sempre fui muito diferente do padrão de beleza. Queria provar para mim mesma que
era bonita. Mas nunca levei a carreira de
modelo a sério”
“Se aprender a usar o violão, vou simplificar as harmonias ou limitar as melodias, o que vai me empobrecer’’
Vanessa da Mata

Música/Vanessa da Mata
A voz que veio da mata
A cantora mato-grossense inscreveu-se
num concurso de modelo para colocar a
beleza exótica em xeque e precisou da
bênção de Maria Bethânia e Baden Powell
para se convencer de seu talento musical

Luciana Franca, de Florianópolis

 

Vanessa da Mata sabe que é poderosa, mas sempre precisou de aval para seguir adiante. A beleza rara, fruto de uma mistura de negros e índios, foi colocada à prova quando, aos 16 anos, se inscreveu num concurso de modelo. Com seu 1,80 de altura e traços marcantes, ficou entre as 20 finalistas de um total de 10 mil candidatas. “Sempre fui muito diferente do padrão de beleza. Queria provar para mim mesma que era bonita”, conta ela. “Mas nunca levei a carreira de modelo a sério. Trocava os castings por chocola-
te e ensaios com a banda.” Não demorou para trocar a passarela pelo palco. A meteórica carreira no mundo da moda a levou para São Paulo em 1992. Filha de um fazendeiro e de uma professora, Vanessa já havia deixado a pequena cidade mato-grossense de Alto Garças, de oito mil habitantes, aos 14 anos, para viver em Uberlândia sob o pretexto de que estaria se preparando para estudar Medicina. Mas o que fazia mesmo era cantar nos bares da cidade mineira.

Tanta precocidade revelaria ainda uma outra paixão. Aos 18 anos, Vanessa começou a compor, mesmo sem saber tocar nada. Hoje, aos 28, contabiliza mais de 250 composições e ainda nenhum instrumento em seu currículo. “Se aprender agora a usar o violão, vou começar a simplificar as harmonias ou limitar as melodias, o que vai me empobrecer”, justifica ela, que conta com o parceiro Swamy Jr. para musicar suas idéias. Chico César é outro criador das melodias das letras de Vanessa e uma espécie de padrinho. Ela foi atrás do músico paraibano e assim que ele ouviu o trabalho de Vanessa tornaram-se parceiros. Chico César musicou “A Força Que Nunca Seca”, canção que resolveu mandar para Maria Bethânia. A cantora baiana não só gravou a composição da dupla como a transformou em título de seu álbum. “Depois de Bethânia, achei que estava no caminho e que não era uma alienação fazer uma letra torta e estranha como aquela”, afirma Vanessa, que teve ainda a bênção de Baden Powell, três meses antes da morte do músico em setembro de 2000. “Foi um momento lindo porque estava insegura como cantora. Iríamos cantar uma música e ele, ranzinza e exigente como todo bom músico, ficou cismado”, lembra. Na passagem de som, o violonista encantou-se com a voz da novata e a presenteou com parcerias em outras músicas no show.

A garotinha de cabelos enrolados, que pouco sabia de música e se encantava com a afinação dos instrumentos no salão paroquial antes dos raros bailes que aconteciam em sua pequena cidade natal, venceu a insegurança e provou ser uma estrela de primeira grandeza. Já dividiu a voz afinada com Daniela Mercury, Caetano Veloso e Milton Nascimento. Também se apresentou em Portugal e na Inglaterra e fará outra turnê européia este ano. Enquanto isso, ocupa-se com os muitos shows pelo País e com a elaboração do seu segundo disco, que sai em julho. Ainda sobra fôlego para dar uma canja em horário nobre. Vanessa e sua banda irão se apresentar no fictício Espaço Fama da novela Celebridade, na qual participa da trilha sonora com “Nossa Canção”, música de Luiz Airão que ficou famosa na voz de Roberto Carlos.

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