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André Durão
Ela nasceu no Rio Grande do Sul, morou nos Estados Unidos, no Caribe, no Ceará e encontrava no esporte um estímulo para as mudanças: “O esporte não é uma profissão, é um tesão que tenho”
André Durão
“Não sabia que tinha medo de altura. Fiquei gritando que não queria morrer. Foi a única vez que achei que isso pudesse acontecer ’’
Daniela Monteiro,
so saltar de
bungee jump pela primeira vez


Ensaio
Dani Monteiro
A apresentadora do SporTV e do Esporte Espetacular, da Globo, que tinha medo
de altura, já saltou do maior bungee jump
do mundo, a uma altura de 215 metros

Nina Arcoverde Mansur

 
  André Durão
As aulas de educação física no colégio sempre foram um trauma para a gaúcha Daniela Monteiro. A menina era sempre a última a ser escolhida para integrar as equipes de vôlei, basquete ou futebol. Enquanto a turma se aquecia para começar a partida, ela ainda aguardava, sentada no banco de reservas, alguém que
lhe desse uma chance de entrar em quadra. Quinze anos depois, aos 24, a apresentadora do Caminhos da Aventura, novo programa do SporTV e de um quadro do Esporte Espetacular, da Rede Globo, virou o jogo: tornou-se uma especialista em esportes radicais. “Como são atividades individuais, não tinha ninguém para me dizer o quanto
eu era ruim. Aí, fui ficando boa”, brinca.

Dani, como é chamada, encara hoje qualquer esporte sem medo. Mas numa viagem para a Nova Zelândia, em 2000, precisou de três dias para superar o pânico inicial e saltar
de um bungee jump de 50 metros. “Até então não sabia
que tinha medo de altura. Fiquei gritando que não queria morrer. Foi a única vez que achei de fato que isso pudesse acontecer”, relembra. Dois anos mais tarde, ela venceu
novo desafio, na África do Sul, ao saltar do maior bungee jump do mundo, com 215 metros. “O pára-quedismo é
sua mais recente mania. Ela não pára de pensar nisso”, entrega o namorado, o diretor e editor de televisão e
surfista Guilherme Gross, 33.

O talento para os esportes nasceu na infância nômade
que a apresentadora teve. Dos 5 aos 11, Daniela viveu
em Gloucester, Virgínia, com os pais, que deixaram o Brasil para estudar nos Estados Unidos. Na seqüência, a família seguiu para a pequena ilha Turks & Caicos, no Caribe, onde Daniela foi iniciada nos esportes aquáticos. Incentivada
pelo pai, o oceanógrafo Cassiano Monteiro, ela aprendeu
a mergulhar. “Comecei ali a criar um vínculo grande com o mar”, conta Dani, que após seis meses no Caribe mudou-se para o Ceará. No Nordeste, encontrou no windsurfe um estímulo para enfrentar a mudança. “Eu era uma gringuinha! Cheguei sem escrever ou falar direito o português e sem o jeitinho brasileiro.”

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O esporte passou de hobby a profissão quando, aos 17, Daniela desembarcou no Rio para estudar. Ela escolheu arquitetura ao invés de medicina, como queria desde pequena, para ter as tardes livres para o windsurfe. Daniela foi tricampeã brasileira em 1996, 1997 e 1998 – ela abandonou as competições ao ser convidada para o SporTV – e ficou em terceiro lugar no circuito nacional de kitesurfe, esporte onde o praticante, em cima de uma prancha, é puxado por uma pipa gigante, espécie de pára-quedas. “O esporte não é uma profissão, é um tesão que tenho.”

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