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Entrevista
   
Fotos: Edu Lopes
“Como prender um cara antes de ele matar 13? Como intervir na infância, para resgatar o jovem do futuro macabro que desponta? Quando conto a infância do assassino, estou dizendo: ‘Assistentes sociais, atenção!’”,
diz Ilana Casoy
CONTINUAÇÃO
Como Chico Picadinho se revelou na entrevista?
Já foi ameaçada?  

Ilana Casoy
“Fiquei cara a cara com
dois serial killers”

Sobrinha de Bóris Casoy lança primeiro
livro sobre os assassinos brasileiros em
série e conta a sensação de entrevistar
olhos nos olhos os criminosos

Rodrigo Cardoso

 

O primeiro livro sobre serial killers brasileiros será lançado em abril, na Bienal. Após cinco anos de pesquisas, mais de 40 casos levantados, visitas a manicômios, julgamentos e museus de crime, Ilana Casoy, 44 anos, juntou seis deles em Serial Killers Made in Brasil – e já prepara um segundo volume com outros casos. Mais: depois de um primeiro livro, Serial Killer – Louco ou Cruel, em que conta a história dos mais famosos assassinos internacionais, ela entrevistou dois assassinos em série brasileiros. Sobrinha de Bóris Casoy e formada em administração de empresas, ela diz que a mente humana a intriga e por isso se interessou por serial killers. Seu site www.serialkiller.com.br recebe 8 mil visitas por mês. Mãe de Marcelo, 18, e Fernando, 22, Ilana passou o aniversário de 50 anos do marido Jacques escrevendo o livro na piscina do Copacabana Palace, enquanto o mundo nadava, falava
inglês e pedia caipirinha ao seu lado.

Entrevistar um serial killer era uma meta desde o começo das pesquisas?
Achava desnecessário. Na verdade, tinha medo. Mas justificava com argumentos racionais uma dificuldade emocional: dizia que, para contar os casos, não precisava entrevistar os criminosos, porque eles eram mentirosos patológicos e para obter os dados bastavam os processos. Chegou uma hora que era imprescindível entrevistá-los e
fiquei cara a cara com dois serial killers.

O Monstro do Morumbi, cuja história você conta no
livro, é um serial killer que está solto desde 2001.
Pensou em entrevistá-lo?
Ele ficou trinta anos preso, matou 24 mulheres, em tese, entre São Paulo e Belém (PA). Ele foi um menino mal tratado. Com 6 anos banhava o pai, que tinha lepra. Aí, entende-se o fato de ele ser necrófilo. Sua mãe era prostituta. Psicologicamente o que poderia acontecer com ele? O Monstro do Morumbi fala que, para ter prazer nas relações, a mulher tinha de permanecer imóvel, “como se estivesse morta”. Sabia tudo, morri de vontade, mas não quis entrevistá-lo. Ele está solto! Vou convidá-lo para um café? O Monstro do Morumbi foi con-
denado a muito mais anos, cumpriu 30 e foi solto. Espero que seja o primeiro serial killer a não matar de novo. Um agente do FBI escreveu que em certas entrevistas com serial killers o papo foi de extremo prazer e que um dos motivos de ter sido ótimo foi tê-los entrevistado dentro da cadeia. Tô com ele.

Como Chico Picadinho se revelou na entrevista com você?
A imagem que tinha era de um animal que picou duas mulheres. Estava bastante tensa, pensei em sair correndo. O Francisco é muito forte, fisicamente e de personalidade. Primeiro, ele me pergunta quanto iria ganhar para dar a entrevista: “A senhora não vai lucrar? Eu quero dividir”. Sabia que o Francisco pintava quadros, falei que me interessaria por um desenho e do apelo científico do livro e ele topou.

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