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Se se permitisse emendar a poesia de Carlos Drummond de
Andrade – que escreveu, quando o maior mito do teatro
brasileiro definitivamente deixava os palcos, “a morte
emen-
dou a gramática, morreram Cacilda Becker” –,
poderia dizer-se que, em um só espetáculo,
vivem Walderez de Barros. Ela é muitas em uma só,
numa peça multicor em que se provam as delícias
da comedia dell’arte, da farsa, dos fantoches,
do drama, da tragédia.
“São 40 anos”, inicia a atriz de 63 anos
no Urfaust – Fausto Zero, de Goethe. Comemorando
essa carreira incomum, Walderez, no papel-título,
apaixona-se por Margarida (Vera Zimmermann) e faz pacto
com Mefistófeles (Alvise Camozzi), o Diabo, para
ter a amada. Mas percebe que para amar é preciso
estar com a “alma inteira” e não “vendê-la”,
o que faz entender o valor do sentimento ante a razão
e o pragmatismo no caminho da boa fortuna, como apregoavam
Goethe e Schiller à frente do movimento Sturm und
Drang – Tempestade e Ímpeto, na Alemanha do
final do século 18.
As excelentes direção de Gabriel Villela,
cenografia (Márcio Vinicius), trilha sonora (Daniel
Maia) e luz (Guilherme Bonfanti) dão corpo a um espetáculo
irretocável, digno da inumerável Walderez.
Pacto com a platéia
Espaço
Promon –
av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1.830,
tel. (11) 3847-4111. Até 27/6.
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