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Divulgação

Fausto Zero: peça multicor em montagem irretocável

Drama
Urfaust – Fausto Zero
Walderez de Barros celebra 40 anos de palco com brilhantismo em peça dirigida por Gabriel Villela

Cristian Avello Cancino

 

Se se permitisse emendar a poesia de Carlos Drummond de Andrade – que escreveu, quando o maior mito do teatro brasileiro definitivamente deixava os palcos, “a morte emen-
dou a gramática, morreram Cacilda Becker” –, poderia dizer-se que, em um só espetáculo, vivem Walderez de Barros. Ela é muitas em uma só, numa peça multicor em que se provam as delícias da comedia dell’arte, da farsa, dos fantoches, do drama, da tragédia.

“São 40 anos”, inicia a atriz de 63 anos no Urfaust – Fausto Zero, de Goethe. Comemorando essa carreira incomum, Walderez, no papel-título, apaixona-se por Margarida (Vera Zimmermann) e faz pacto com Mefistófeles (Alvise Camozzi), o Diabo, para ter a amada. Mas percebe que para amar é preciso estar com a “alma inteira” e não “vendê-la”, o que faz entender o valor do sentimento ante a razão e o pragmatismo no caminho da boa fortuna, como apregoavam Goethe e Schiller à frente do movimento Sturm und Drang – Tempestade e Ímpeto, na Alemanha do final do século 18.

As excelentes direção de Gabriel Villela, cenografia (Márcio Vinicius), trilha sonora (Daniel Maia) e luz (Guilherme Bonfanti) dão corpo a um espetáculo irretocável, digno da inumerável Walderez. Pacto com a platéia

Espaço Promon
av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1.830,
tel. (11) 3847-4111. Até 27/6.