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Não
fossem sua decisão de sair de cena no auge da carreira
e os rumores sobre sua nunca comprovada homossexualidade,
o cantor Mário Reis (1907-1981) já teria seu
lugar reservado na história da música brasileira
por seu canto suave e coloquial – quase uma heresia
nos anos 20 e 30, época de intérpretes de
vozes volumosas e impostadas. O pioneirismo deste João
Gilberto da fase pré-bossa nova está atestado
na caixa de três CDs Um Cantor Moderno, que
reúne 47 raras gravações feitas por
Reis na extinta gravadora Victor, entre 1932 e 1935.
A modernidade do cantor foi avalizada por Pixinguinha, diretor
artístico da Victor na época. O autor de “Carinhoso”
criou inventivos arranjos percussivos que se integravam
à voz de Reis, sem procurar ofuscá-la. Coube
ao grupo formado por Pixinguinha, Diabos do Céu,
acompanhar o intérprete nas gravações
de músicas como a marcha junina “Chegou a Hora
da Fogueira” (em dueto com Carmen Miranda) e o clássico
samba “Agora É Cinza”, da dupla Bide
e Marçal.
A maior parte do repertório (18 das 47 faixas) leva
a assinatura de Lamartine Babo, compositor contratado pela
Victor. Mas Reis gravou também músicas de
Custódio Mesquita, Braguinha, Capiba e Noel Rosa,
aliando bom gosto à sua voz moderna.
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