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Thogum (no alto) e Combatente são entrevistados em Fala Tu

 
Fala

Foco/Fala Tu
Retrato de vidas no rap e na periferia

Mariane Morisawa

 
   
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Macarrão
“Vocês têm futuro”, diz Macarrão para seus entrevistadores, Guilherme Coelho e Nathaniel Leclery, no documentário Fala Tu. “Não é ser derrotista, é só que as condições não estão me deixando ver essa minha vitória. Se ela existe, está obscurecida”, completa ele. Apontador do jogo do bicho no Morro do Zinco, ele é um dos perfilados do filme – os outros são Thogum, representante de produtos esotéricos de Cavalcante, e Combatente, operadora de telemarketing de Vigário Geral. Fala Tu usa o rap, que todos cantam ou compõem nas horas vagas, como fio condutor. “Quisemos fazer um retrato dessas vidas no rap, uma crônica carioca”, diz Guilherme.

Mesmo com a ajuda do Mano Tales, figura conhecida do rap carioca, a recepção foi variada. “Demoraram três horas para me convencer, porque é sempre aquela lamentação”, diz Thogum. Combatente pensava parecido. “Moro no Vigário Geral. A gente não agüenta mais aquela história dos pretinhos coitadinhos. Temos dignidade”, diz. Com Macarrão, cuja tragédia pessoal está exposta no documentário, foi diferente. “Quando me falaram que era sobre rap, achei tranqüilo. Talvez, se dissessem que era sobre mim, não fizesse. Não acho que minha vida vá ser interessante para ninguém”, afirma.

O documentário chamou a atenção da Videofilmes, de
Walter e João Moreira Salles, que adotou Fala Tu, e dos Racionais MCs, que ajudaram a produzir a trilha sonora. E
gerou chances. Thogum espera que a promessa de uma bolsa na PUC-RJ se concretize para concluir a faculdade de Jornalismo. “E quero fazer ciências sociais”, diz ele. Comba-
tente sonha viver da música. Ela formou outro grupo de garotas, chamado Odoiyá, e está montando uma ONG para recuperar a auto-estima da mulher.

Macarrão é cuidadoso. “Não posso me iludir”, diz o rapper, que fez um jingle para a NBA e está desenvolvendo sitcoms para a produtora Picante Pictures. “Não sinto segurança de sair do jogo do bicho”, afirma ele, que passa as manhãs na banca e só à tarde vai para a produtora.